08/Jan/2026
O Brasil ultrapassou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina no ano passado, de acordo com estimativas de mercado, depois que superou as previsões de produção em centenas de milhares de toneladas, aliviando um aperto na oferta global e ajudando a limitar um aumento nos preços da carne. O Brasil já era o maior exportador de carne bovina, com embarques avaliados em quase US$ 17 bilhões em 2025. Os números da produção de carne bovina não devem ser divulgados até fevereiro, mas analistas aumentaram recentemente suas estimativas. Pecuaristas têm enviado mais bovinos para o abate, lucrando com a alta demanda de exportação de países como a China e os Estados Unidos, onde a oferta baixa elevou os preços da carne bovina a níveis recordes. Abates elevados normalmente levam a um período de baixa produção, pois os produtores retêm os bovinos para procriar e recompor os rebanhos. Mas, os ganhos de produtividade no Brasil podem limitar ou até mesmo evitar uma queda.
A fazendas têm inseminado o gado mais rapidamente, engordando-o mais rápido e abatendo-o mais jovem. Há dez anos, a idade média do gado abatido no Brasil era de cinco anos. Agora, é de 36 meses e está indo rapidamente para 24 meses. Segundo a consultoria pecuária Athenagro, a produção brasileira de carne bovina superou a previsão para 2025. A produção cresceu 4% no ano, quando a previsão era de uma queda de 2,7%. O aumento de cerca de 800.000 toneladas foi aproximadamente igual ao total das exportações anuais da Argentina, o quinto maior exportador de carne bovina do mundo. O Rabobank, que esperava que a produção de carne bovina do Brasil diminuísse em 2025, agora vê um crescimento de 0,5% para 12,5 milhões de toneladas de peso equivalente em carcaça. Em dezembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aumentou sua estimativa para a produção brasileira de carne bovina em 450.000 toneladas, para 12,35 milhões de toneladas.
Se os números oficiais confirmarem as estimativas do mercado, 2025 será o primeiro ano em que a produção brasileira terá superado a produção dos Estados Unidos, que caiu 3,9% para 11,8 milhões de toneladas em 2025, de acordo com as estimativas do USDA, após anos de seca. A produção de carne bovina dos Estados Unidos cairá mais 0,9% em 2026, para 11,7 milhões de toneladas, informou o USDA. No Brasil, o USDA e o Rabobank projetam um declínio na produção, mas o aumento da produtividade poderia, na verdade, aumentar a produção brasileira em cerca de 300.000 toneladas. Quase 28% do gado abatido no Brasil será engordado em confinamento até 2027, em comparação com 22% em 2025, de acordo com a Scot Consultoria. O confinamento faz em 100 dias o que levaria 18 a 24 meses a pasto. O setor de etanol de milho, que está em expansão no Brasil, vem gerando um subproduto conhecido como grãos secos de destilaria, que tem mais proteína do que o milho e ajuda o gado a engordar mais rapidamente.
As vacas também estão ficando prenhas com mais frequência à medida que os fazendeiros adotam técnicas de inseminação mais eficientes, permitindo que os produtores abatam mais bovinos sem reduzir o tamanho do rebanho. A Scot Consultoria espera que a taxa de prenhez do Brasil (a proporção de fêmeas que ficam prenhes durante uma estação reprodutiva) aumente para 54% em 2027, em comparação com os 50% esperados em 2026. O aprimoramento genético também está melhorando o crescimento do gado e aumentando a qualidade da carne. E o Brasil ainda não atingiu a proporção de 90% do gado que passa por confinamento, como nos Estados Unidos, ou os 40% da Austrália. Se a taxa de prenhez do Brasil aumentasse para 66%, equivalente à da Argentina, o número de bezerros nascidos por ano cresceria de cerca de 32 milhões para 40 milhões, de acordo com a consultoria Datagro. A taxa de prenhez no Canadá é de 96%.
Dados do governo mostram que o Brasil tem 238 milhões de cabeças de gado, bem mais do que o dobro das 94 milhões de cabeças dos Estados Unidos. Um aumento da produtividade permitiria a expansão da produção sem aumentar o número de cabeças de gado ou a área de pastagens. Isso poderia aliviar um dos fatores econômicos do desmatamento da Floresta Amazônica. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o rebanho bovino do Brasil deve crescer apenas 4% entre 2024 e 2034, enquanto a produção de carne bovina aumentaria 24%. A produção de carne bovina dos Estados Unidos aumentará 3,5% e o número de cabeças de gado crescerá 5% nesse período, segundo estimativas do USDA. Os preços globais da carne bovina dependerão de o Brasil conseguir evitar uma queda na produção este ano. O USDA espera que a produção dos seis maiores produtores do mundo caia em 2026 em um total de 2,4%, a maior queda anual em décadas, após um aumento de 0,4% em 2025.
A lista inclui Brasil, Estados Unidos, China, União Europeia, Argentina e Austrália, e exclui a Índia, que o USDA nomeia como um dos seis maiores produtores de carne bovina embora o país produza carne de búfalo em vez de carne bovina. O USDA espera que a produção brasileira caia 5,3% para 11,7 milhões de toneladas de peso equivalente em carcaça este ano. Mas, se as estimativas de analistas forem confirmadas e a produção aumentar para cerca de 12,6 milhões de toneladas, o declínio nos seis maiores produtores seria de apenas 0,2%. Segundo a Datagro, nunca houve tanta demanda internacional por carne bovina brasileira. Os frigoríficos locais também aumentaram sua capacidade. O Brasil passa por uma mudança significativa na forma como o sistema de fornecimento de carne bovina funciona, em termos de qualidade, escala, eficiência e produtividade. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.