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07/Jan/2026

Boi: forma de contabilizar cota chinesa preocupa

Segundo o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), a preocupação do setor frigorífico brasileiro com a decisão da China de impor uma cota anual de importação de carne bovina não está apenas no limite em si, mas no risco de que cerca de 350 mil toneladas já comprometidas sejam abatidas da cota de 2026 logo no início do ano. A forma de contabilização anunciada pela China pode reduzir drasticamente o espaço do Brasil no mercado chinês. As autoridades chinesas indicaram que o controle da cota será feito com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados. Caso esse entendimento prevaleça, volumes que hoje já estão fisicamente comprometidos seriam automaticamente descontados do limite anual.

Isso representa aproximadamente 350 mil toneladas, considerando cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, navios em trânsito e estoques já formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026. Com esse desconto inicial, restariam cerca de 750 mil toneladas para produção destinada à China durante todo o ano, o equivalente a 62,5 mil toneladas por mês. O patamar é considerado incompatível com a dinâmica recente do comércio. Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando mais de 160 mil toneladas mensais de carne bovina para o mercado chinês. Esse descompasso deixa claro que o problema vai além de uma simples limitação quantitativa. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos. O impacto potencial é difícil de mensurar, mas tende a ser profundo.

Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução, inicialmente estimada em cerca de 35%, torna-se ainda mais preocupante quando se leva em conta o critério de contabilização anunciado. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos. Embora reconheça os esforços do governo brasileiro na abertura e diversificação de mercados, esses destinos ainda não têm, ao menos no curto prazo, a mesma capacidade de absorção. Os novos mercados não possuem o mesmo potencial do mercado chinês e já contam com fornecedores consolidados. O caminho é essencialmente diplomático. Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas. O desafio está posto e exige adaptação rápida. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.