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07/Jan/2026

Boi: produção de carne deve cair no Brasil em 2026

Segundo o Itaú BBA, a imposição de salvaguardas pela China às importações de carne bovina eleva o desafio de diversificação dos destinos das exportações brasileiras, mas o impacto tende a ser atenuado pela esperada retração da produção no Brasil em 2026. As tarifas de até 67% incidirão sobre volumes que superarem a cota de 1,1 milhão de toneladas destinada ao mercado chinês. A medida atinge a elevada concentração das exportações brasileiras. Em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina embarcadas pelo Brasil. A imposição de medidas de salvaguarda pela China, na forma de tarifas proibitivas, impõe ao Brasil o desafio de ampliar e diversificar sua pauta de destinos externos, lembrando que os Estados Unidos, segundo maior mercado, absorveram pouco mais de 200 mil toneladas de carne in natura no período.

Apesar da dificuldade de realocação desses volumes, a pressão tende a ser mitigada pela dinâmica da oferta. O banco projeta uma queda de cerca de 2% na produção brasileira de carne bovina em 2026, o equivalente a aproximadamente 200 mil toneladas a menos. Esse volume corresponde a cerca de um terço do excedente potencial em um cenário de repetição, em 2026, das compras chinesas observadas em 2025. A estimativa pode ser conservadora após quatro anos de descarte elevado de fêmeas no País. O relatório também destaca a reorganização dos fluxos internacionais como um fator de compensação. Argentina e Uruguai receberam cotas superiores aos volumes exportados em 2025, o que pode abrir espaço para rearranjos regionais. O Brasil poderia ampliar o abastecimento de mercados vizinhos, liberando parte da produção local para exportação à China.

Além disso, há espaço para aumento das exportações brasileiras aos Estados Unidos, diante do crescimento do déficit norte-americano, projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 1,3 milhão de toneladas em 2026. No curto prazo, até o preenchimento da cota chinesa sujeita à tarifa reduzida, o relatório indica que pode haver aceleração dos embarques ao mercado asiático, seguida por alguma pressão adicional sobre os preços do boi gordo, especialmente em períodos de maior oferta sazonal. Ainda assim, a conclusão é de que os efeitos finais devem ser limitados. Os impactos tendem a ser moderados pela retração da oferta brasileira ao longo deste e dos próximos anos, combinada às restrições à expansão da produção global, mesmo diante da menor capacidade de absorção de mercados alternativos quando comparados à China. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.