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06/Jan/2026

Carnes: México estabelece cotas para importação

O governo do México definiu cotas para importação de carne bovina e carne suína sem cobrança do imposto de importação de todas as origens. Para carne bovina, 70 mil toneladas poderão ser internalizadas pelos importadores mexicanos de todas as origens com tarifa de importação zerada. Para carne suína, a cota será de 51 mil toneladas. A definição de cotas para importação de carnes com alíquota de importação zerada faz parte dos ajustes no Paquete Contra la Inflación y la Carestia (Pacic), anunciados pelo governo mexicano na última semana. Os volumes foram publicados em decretos pela Secretaria de Economia do México no Diário Oficial do país desta segunda-feira (05/01) e entram em vigor nesta terça-feira (06/01) e têm validade até 31 de dezembro deste ano. Volumes excedentes à quantidade prevista na cota estarão sujeitos à alíquota de importação.

As cotas de isenção foram divididas por cortes das proteínas e serão distribuídas por processo licitatório entre os importadores, segundo estabeleceu a Secretaria de Economia do México. O governo mexicano prorrogou na última semana o Pacic, que isenta a tarifa de importação aplicada sobre produtos agropecuários que compõem a cesta básica das famílias mexicanas, mantendo a isenção da tarifa de importação sobre frango, alguns peixes, aves, frutas e hortaliças, mas retirou carne bovina e suína do rol de alimentos isentos. Leite e derivados, arroz em casca, feijão, óleos vegetais, tilápia e embutidos foram excluídos e voltarão a ter tarifas para entrada no país. Os números eram aguardados pela indústria brasileira, que tem no México um dos seus principais destinos de exportação. Para esses setores ficou um meio termo entre a situação original (sem cota e com tarifa) e a situação dos últimos dois anos (sem tarifa e sem cota). Continua um mercado totalmente aberto, avaliou o Ministério da Agricultura (Mapa).

As mudanças eram vistas com cautela pelos exportadores brasileiros, que temiam perda de acesso ao mercado mexicano. Para volumes que excederam a cota, o imposto de importação mexicano chega 25% para carne bovina e 20% para carne suína, podendo cair para 16% sobre a proteína brasileira, conforme um acordo previsto pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), da qual ambos os países são membros. No último ano, até novembro, o Brasil exportou 113 mil toneladas de carne bovina e 74 mil toneladas de carne suína para o México, segundo dados do Agrostat, sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro do Ministério da Agricultura. Sobre a carne bovina, o governo mexicano citou no decreto metas para elevar a produção nacional, dado que é a terceira proteína animal mais consumida no país, com demanda pelos consumidores finais e pelas empresas de processamento e distribuição de carne.

É necessário implementar mecanismos para complementar o abastecimento nacional e fomentar condições competitivas no mercado interno, destaca o decreto. O Brasil é citado como o principal fornecedor da carne bovina ao país, cujo governo diz haver necessidade de diversificar e gerenciar as fontes externas de abastecimento de forma ordenada. A participação das importações de carne bovina no mercado mexicano saltou de 9,3% para 11,8% do consumo local no último ano, elevando a dependência do país de proteína externa. A cota é justificada pelo governo mexicano como mecanismo para preservar a disponibilidade e o acesso ao produto, a fim de garantir o abastecimento e proteger a renda das famílias mexicanas, contribuindo para a estabilidade do mercado nacional em benefício dos consumidores.

Considerando que, levando em conta as tendências recentes do mercado e com o objetivo de complementar o consumo interno sem inibir a produção nacional ou aumentar excessivamente a dependência das importações estrangeiras, considera-se conveniente estabelecer uma nova cota de importação de carne bovina de 70 mil toneladas, equivalente à média anual de importações originárias do Brasil em 2024 e ao fechamento comercial estimado para 2025, válida até 31 de dezembro de 2026, a fim de manter o equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional e garantir o fornecimento do produto a preços competitivos, explicou o governo mexicano. A carne suína é a segunda principal proteína consumida no país, depois do frango.

Para adoção da cota, o governo mexicano justifica a necessidade de manter o equilíbrio entre a produção nacional e o comércio exterior. Considerando que a produção nacional de carne suína é insuficiente para suprir o consumo interno e que uma parcela significativa desse consumo é atendida por meio de importações, torna-se necessário implementar mecanismos que permitam complementar a oferta nacional, diversificar os fornecedores externos e preservar a estabilidade do mercado, sem inibir a produção nacional de suínos. As cotas de importação constituem um instrumento que permite a diversificação da produção. Citando estatísticas locais, o governo mexicano destacou que a produção nacional de carne suína é insuficiente para atender ao consumo local, sendo necessário ao país recorrer às importações para atender à demanda interna e equilibrar o mercado.

As importações respondem por cerca de 44% do consumo interno nacional da proteína suína, segundo dados do decreto, sobretudo dos Estados Unidos e do Canadá que perfazem 80% do volume internalizado pelo país. É demandada tanto por consumidores finais quanto por empresas de processamento e comercialização de carne, tornando necessário haver mecanismos para complementar o abastecimento interno e fomentar condições competitivas no mercado interno para gerar melhores condições de concorrência e contribuir para a estabilidade de preços, especialmente em benefício dos consumidores com menor poder aquisitivo, ressaltou o governo mexicano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.