05/Jan/2026
O mercado de carne bovina tende a atravessar 2026 em um ambiente de preços sustentados e com viés de alta, resultado da combinação entre demanda aquecida e oferta mais restrita. As projeções indicam continuidade do crescimento tanto do consumo interno quanto das exportações, enquanto a produção nacional deve enfrentar limitações estruturais que restringem uma expansão mais robusta, resultando em avanço apenas moderado ao longo do ano.
No cenário internacional, a expectativa é de redução da oferta global de carne bovina, fator que contribui para a sustentação dos preços e mantém estímulos à atividade produtiva. Nesse contexto, a pecuária brasileira chega a 2026 em posição de protagonismo no mercado mundial, após alcançar em 2025 o maior volume de produção global. Esse desempenho ocorre em um ambiente externo favorável, com taxa de câmbio em patamar que assegura competitividade ao produto brasileiro e favorece a continuidade do crescimento das exportações.
Pelo lado da demanda doméstica, os fundamentos permanecem positivos. A maior circulação de renda ao longo de 2026, associada a fatores conjunturais que tendem a estimular o consumo, contribui para a sustentação do mercado interno. Ainda assim, juros elevados e níveis persistentes de inadimplência podem limitar parte do potencial de expansão do consumo. No comércio exterior, o principal mercado comprador deve manter volumes elevados de importação, mesmo em um contexto de crescimento econômico moderado, embora existam riscos associados a eventuais medidas de proteção comercial que possam gerar ajustes pontuais e maior volatilidade.
Do ponto de vista da oferta, o principal entrave está na disponibilidade e na qualidade dos animais de reposição. A escassez de bois magros, garrotes e bezerros de bom padrão já exerce pressão sobre os preços e tende a manter o mercado de reposição valorizado até o final de 2026 ou início de 2027. A retenção de fêmeas para recomposição do rebanho, combinada com a possibilidade de elevação dos custos de alimentação, tende a comprimir as margens da atividade de engorda. Em contrapartida, o segmento de cria apresenta perspectivas mais favoráveis, beneficiado pela valorização do bezerro, configurando um cenário de maior rentabilidade relativa para a produção de animais jovens e maior desafio econômico para sistemas intensivos de terminação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.