05/Jan/2026
A conjuntura internacional da carne bovina aponta para um cenário favorável ao Brasil em 2026, sustentado pela combinação entre crescimento da demanda global e o alinhamento dos ciclos pecuários dos principais países produtores. Brasil, Estados Unidos, Argentina, Austrália e Uruguai tendem a operar com menor oferta relativa, o que contribui para preços mais elevados no mercado internacional. Nesse contexto, o Brasil se destaca por deter o maior rebanho comercial do mundo e por apresentar elevada competitividade em custos frente aos demais exportadores.
Na última década, o consumo mundial de carne bovina cresceu em ritmo superior ao da produção, criando uma lacuna estrutural que deve ser disputada entre os grandes fornecedores globais. Mercados tradicionalmente bem remuneradores, como Japão e Coreia do Sul, despontam como destinos estratégicos, ao mesmo tempo em que eventos internacionais de grande porte em 2026 tendem a estimular o consumo em países-chave da América do Norte.
No mercado doméstico, as perspectivas também são positivas. Medidas de estímulo à renda, o ambiente político e fatores sazonais associados a grandes eventos internacionais tendem a fortalecer o consumo interno de carne bovina. No front externo, a expectativa é de manutenção do ritmo aquecido das exportações de carne in natura, favorecidas pela competitividade brasileira e pela abertura ou retomada de mercados relevantes.
O encerramento de 2025 reforça esse pano de fundo mais construtivo. O período foi marcado por recorde no volume de bovinos confinados, maior participação de fêmeas no abate e safras abundantes de milho e soja, fatores que contribuíram para a melhora das margens da atividade pecuária. Apesar das oscilações naturais do setor, o ano representou uma transição para uma fase mais favorável do ciclo pecuário.
Para 2026, a expectativa é de manutenção de indicadores positivos, com preços mais remuneradores ou, ao menos, compatíveis com a viabilidade econômica da produção. Na ausência de eventos disruptivos relevantes, a tendência é de menor oferta de animais e melhor remuneração ao produtor ao longo do ciclo.
O confinamento, estratégia que ganhou relevância em 2025 ao aumentar o giro de capital e a eficiência produtiva, deve seguir em expansão. A perspectiva de boa oferta de grãos contribui para manter os custos de alimentação sob controle, reduzindo riscos na formulação das dietas. Ainda assim, o foco do produtor tende a permanecer na gestão de margens, e não apenas no nível nominal dos preços do boi gordo.
A atividade de cria também desponta como um dos segmentos mais favorecidos em 2026. A expectativa de valorização da reposição aponta para um mercado mais comprador, favorecendo o criador e reforçando o otimismo nas propriedades voltadas a essa etapa do sistema produtivo.
A evolução da demanda por carne bovina em 2026 dependerá, em grande medida, da manutenção do nível de emprego no Brasil e da continuidade das importações chinesas em patamares semelhantes aos observados em 2025. A retomada das compras pelos Estados Unidos e a abertura de novos mercados contribuem para maior estabilidade das exportações, embora permaneçam incertezas associadas a possíveis medidas de salvaguarda por parte da China, principal destino da carne bovina brasileira.
A forte produção nacional de grãos, especialmente milho e soja, configura-se como um ativo estratégico para a pecuária, ao assegurar ampla oferta de insumos e coprodutos para a nutrição animal. Embora o aumento dos custos de produção siga como ponto de atenção, não se projeta um cenário de inviabilidade da atividade em 2026, com a oferta de boiadas acompanhando o comportamento esperado do ciclo pecuário.
Por fim, variáveis macroeconômicas como taxa de juros, câmbio, inflação e políticas agrícolas continuam no radar do produtor. O acesso ao crédito em condições adequadas é considerado essencial para estimular investimentos e adoção de tecnologia no campo, enquanto o câmbio exerce influência direta tanto sobre os custos de produção quanto sobre a competitividade das exportações. Diante desse ambiente, o planejamento tende a privilegiar o mercado interno, onde há maior previsibilidade de preços e demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.