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05/Jan/2026

Boi: inversão de ciclo pode reduzir oferta em 2026

O mercado brasileiro de carne bovina inicia 2026 sob a perspectiva de um possível aperto de oferta, associado a sinais de inversão do ciclo pecuário após dois anos consecutivos de níveis elevados de abate, que culminaram em recordes de produção e exportação em 2025. A expectativa é de uma mudança gradual na dinâmica de oferta ao longo dos primeiros meses do ano, à medida que produtores passam a reter fêmeas com o objetivo de recompor o rebanho, após um período prolongado de intensificação do abate de matrizes.

Esse movimento ocorre após um ciclo de expansão expressiva da produção. Em 2025, o Brasil alcançou o maior volume de exportações de carne bovina da série histórica antes mesmo do encerramento do ano. Até novembro, os embarques somaram cerca de 2,7 milhões de toneladas, representando crescimento de aproximadamente 19% em relação a 2024. Os meses de setembro, outubro e novembro superaram individualmente a marca de 300 mil toneladas exportadas, configurando um desempenho inédito em três meses consecutivos.

Esse resultado foi sustentado por níveis excepcionalmente elevados de abate. Nos últimos dois anos, o volume mensal processado girou em torno de 3 milhões de cabeças, atingindo cerca de 3,6 milhões de cabeças no terceiro trimestre de 2025, o maior patamar já registrado. Em comparação, antes de 2022, o padrão histórico situava-se entre 2,6 milhões e 3 milhões de cabeças por mês. O principal vetor desse aumento foi o crescimento do abate de fêmeas, que ampliou a oferta de carne no curto prazo. No entanto, sinais recentes indicam desaceleração desse movimento, sugerindo o início de uma fase de retenção e recomposição do rebanho, elemento central para a configuração da oferta em 2026.

Do lado da demanda, os fundamentos permanecem consistentes no início do novo ano. No mercado externo, a expectativa é de continuidade das compras por parte dos principais importadores. Em 2025, a China manteve-se como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por mais da metade dos embarques em diversos meses. Outros mercados relevantes, como União Europeia, Chile e Filipinas, preservaram participação significativa, enquanto os Estados Unidos ganharam espaço ao longo do segundo semestre, após a retirada de tarifas adicionais impostas anteriormente.

As decisões de política comercial seguem como fator relevante para o comércio internacional em 2026. Investigações de salvaguarda sobre importações de carne bovina, anunciadas no final de 2024 por grandes compradores, tiveram o início postergado e estão programadas para o início de 2026. O debate envolve a necessidade de equilibrar a proteção aos produtores domésticos com o risco de restrições excessivas que possam pressionar os preços ao consumidor e a inflação interna.

No mercado doméstico, o ambiente macroeconômico tende a sustentar a demanda ao longo de 2026, apoiado por expectativas de crescimento econômico, redução do desemprego, desaceleração da inflação e câmbio mais depreciado. Esses fatores favorecem o consumo de proteínas, embora o avanço da inadimplência das famílias imponha cautela quanto ao ritmo de expansão da demanda interna.

Diante de uma demanda interna e externa relativamente sustentada, o principal vetor de atenção em 2026 desloca-se para a oferta. Caso o processo de retenção de fêmeas se intensifique e a inversão do ciclo pecuário se consolide, a disponibilidade de animais terminados para abate tende a se reduzir ao longo do ano, resultando em um mercado potencialmente mais ajustado justamente em um contexto de fundamentos de demanda ainda firmes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.