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05/Jan/2026

Boi: virada de ciclo da pecuária de corte em 2026

O setor de carne bovina brasileiro consolida sua posição de protagonismo global, mas já focado em uma mudança estrutural que deve ditar o ritmo do mercado em 2026. Após um período marcado por recordes de produção da proteína vermelha, abates e exportações, a cadeia produtiva entra agora na "virada de ciclo". Este movimento, caracterizado pela maior retenção de vacas para reprodução, deve enxugar a oferta de animais prontos para o abate e, consequentemente, reduzir a produção de carne, impulsionando os preços ao longo do ano. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que a produção de carne bovina deve recuar entre 3% e 5% em 2026, em virtude da maior retenção de fêmeas. Em 2025, na estimativa da CNA, o País deve produzir 12,02 milhões de toneladas de carne bovina. O principal driver para essa mudança é o comportamento do produtor em relação às matrizes. O setor acredita em uma queda na produção de carne para o próximo ano justamente porque o pecuarista passará a segurar as vacas para que elas produzam bezerros.

É esse fenômeno de retenção que marca a virada do ciclo. Menos vacas indo para o frigorífico resulta em uma menor oferta imediata de carne no mercado, o que, sob a ótica econômica, cria um ambiente de valorização nominal tanto para o boi gordo quanto para os animais de reposição. A alta das cotações do gado de reposição, que já começou, é o principal estímulo para o produtor represar matrizes em 2026. Em dezembro de 2024, o preço do bezerro era de R$ 2.600, em média. Agora é de R$ 3.000, ou 15% mais. A arroba do boi gordo, por sua vez, avançou de cerca de R$ 310 em dezembro de 2024 para R$ 320 em dezembro de 2025, 3% mais. O que pode se contrapor a essa perspectiva de menor produção em 2026 é o maior emprego de tecnologia. A produção deste ano refletiu investimentos pesados realizados em 2021 e 2022. Naquele período, o setor investiu fortemente em genética, nutrição e sanidade. Somado ao volumoso abate de fêmeas, o Brasil atingiu picos produtivos históricos.

A evolução tecnológica também se manifesta no avanço do confinamento, que continuará estratégico em 2026. A expedição Confina Brasil projetou 8,3 milhões de cabeças engordadas no cocho em 2025, aumento de 11,9% ante o ano anterior. Em 2026, a expectativa é de 9,6 milhões de cabeças confinadas. O sistema intensivo profissionalizado ajuda a precificar o mercado ao demandar mais gado de reposição e ofertar lotes padronizados. Mas tal abundância impediu altas explosivas na arroba no primeiro semestre de 2025, mantendo um equilíbrio que trouxe uma estabilidade rara ao setor, com variações de apenas R$ 20 na arroba ao longo do ano. O desempenho das exportações foi o fiel da balança para equilibrar a oferta elevada. A exportação fechou o ano com alta de 16% ante 2024, absorvendo 38% da carne produzida, um porcentual recorde que ajudou a sustentar o mercado mesmo com a produção em alta. Para 2026, a grande questão reside na produtividade para amortecer o choque de oferta.

O ganho de peso por animal pode compensar parte do volume de abates não realizado. Em 2025, a disponibilidade interna de carne acabou diminuindo ligeiramente, entre 1% e 2%, porque o apetite externo foi uma "surpresa positiva", que limpou os estoques e preparou o terreno para a valorização em 2026. A dinâmica de produção está intrinsecamente ligada ao perfil dos abates. A produção total de carne em 2025 cresceu proporcionalmente menos do que o número de abates porque houve uma presença maciça de fêmeas nos frigoríficos, cujas carcaças são naturalmente mais leves. Situação que pode se inverter em 2026 - ou seja, machos mais pesados garantindo maior produção de carne. A viabilidade dessa compensação tecnológica em 2026 passa diretamente pela gestão rigorosa dos custos de produção, com foco especial no peso que o gado de reposição terá sobre o caixa do confinador. Com os preços dos grãos, como milho e farelo de soja, em patamares mais baixos em relação a anos anteriores, a engorda intensiva ganha um fôlego importante no custo da dieta.

No entanto, o desafio central será o custo de aquisição dos animais. O mercado de reposição mais caro é um reflexo direto da menor oferta de fêmeas e bezerros, o que pressiona as margens de quem opera no sistema de engorda. O preço da arroba terá que compensar esses custos. Justamente a demanda externa - que deve seguir aquecida, principalmente após a queda do tarifaço de 50% dos EUA - pode ajudar a sustentar o preço do boi gordo, permitindo que, mesmo com o gado de reposição mais valorizado, o confinador ainda encontre viabilidade econômica ao apostar no ganho de produtividade. No mercado interno, porém, o cenário exige cautela, diz ele, destacando que o endividamento das famílias impõe um limite aos preços, forçando o produtor a ser extremamente eficiente na conversão alimentar para compensar o alto investimento inicial na compra do gado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.