05/Jan/2026
A adoção de medidas de salvaguarda pela China sobre a importação de carne bovina tende a gerar impacto relevante para o Brasil a partir de 2026, com redução expressiva no volume destinado ao principal mercado da proteína brasileira. A imposição de cotas e tarifas adicionais, já esperada pelo mercado, altera de forma significativa o fluxo comercial que vinha apresentando crescimento consistente nos últimos anos.
Pelas novas regras, o Brasil, que vinha exportando aproximadamente 1,5 milhão de toneladas anuais de carne bovina para a China, passará a operar com uma cota pouco superior a 1,1 milhão de toneladas em 2026. Na prática, isso representa uma potencial redução próxima de 500 mil toneladas no volume exportado ao mercado chinês ao longo do ano, configurando um impacto relevante sobre a dinâmica das exportações brasileiras.
Quando comparado a outros grandes fornecedores sul-americanos, como Argentina e Uruguai, o efeito da salvaguarda tende a ser proporcionalmente mais severo para o Brasil, em função do tamanho do rebanho nacional e do volume historicamente exportado à China. Esses países, por operarem com escalas menores, devem sentir efeitos relativamente mais moderados. Ainda assim, empresas com presença regional, que possuem unidades industriais em mais de um país da América do Sul, podem encontrar oportunidades de mitigação parcial dos impactos por meio da redistribuição de embarques dentro dos limites regulatórios.
Apesar do efeito negativo imediato, a China deve permanecer como parceiro comercial relevante para a carne bovina brasileira. O mecanismo de salvaguarda prevê aumentos graduais das cotas ao longo do período de vigência, entre 2026 e 2028, embora esses incrementos sejam considerados modestos quando comparados ao ritmo recente de crescimento das exportações brasileiras ao país asiático.
Diante desse novo ambiente, a tendência é de intensificação dos esforços de diversificação de mercados por parte do Brasil. A busca por destinos alternativos, especialmente aqueles que não operam com cotas ou tarifas adicionais, bem como a abertura de novos mercados, deve ganhar relevância estratégica. Também podem ocorrer rearranjos logísticos e comerciais dentro de determinados limites de volume, como forma de absorver parte do excedente que deixará de ser direcionado à China.
A medida de salvaguarda, anunciada oficialmente pelas autoridades chinesas, entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terá validade até 31 de dezembro de 2028. O regime estabelece cotas anuais por país e a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem os limites definidos. Para o Brasil, a cota estipulada é de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com elevação para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.
A decisão foi justificada como uma iniciativa de proteção à indústria doméstica chinesa, sob o argumento de que o aumento das importações de carne bovina teria causado danos relevantes aos produtores locais. Esse movimento reforça a necessidade de ajustes estratégicos por parte do Brasil no planejamento de sua política comercial e na gestão do fluxo de exportações da proteína bovina nos próximos anos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.