05/Jan/2026
O Brasil pode ingressar em uma nova fase de expansão da oferta de carne de frango em 2026, impulsionada pela ampliação da capacidade produtiva no segmento de genética avícola. Embora o crescimento da produção tenha sido absorvido pela demanda até o momento, esse movimento passa a representar um risco potencial de desequilíbrio entre oferta e demanda para a indústria frigorífica a partir do próximo ciclo, especialmente se a expansão estrutural não for acompanhada por igual crescimento do consumo.
Os sinais mais recentes indicam que o país pode enfrentar uma nova onda de aumento da oferta, à medida que os resultados do setor deixam de refletir fatores conjunturais e passam a incorporar uma expansão estrutural da capacidade genética. Esse processo ocorre após um período em que o crescimento do plantel foi sustentado principalmente pela redução das exportações de ovos férteis e pelo descarte limitado de matrizes, fatores que atuaram como mecanismos temporários de ajuste.
A análise baseia-se no acompanhamento das Guias de Trânsito Animal, documentos obrigatórios que registram a movimentação de aves vivas ao longo de toda a cadeia produtiva, desde unidades de reprodução até granjas e plantas industriais. Esses registros permitem antecipar tendências de aumento ou redução da oferta futura ao identificar, com antecedência de meses, o fluxo de aves destinadas à reprodução. Os dados mais recentes sugerem que o plantel brasileiro está preparado para se expandir por meio de um aumento estrutural na oferta dos fornecedores de genética, segmento localizado no topo da cadeia e determinante para o volume de carne de frango disponível no mercado nos períodos subsequentes.
Nesse contexto, observa-se a consolidação de polos relevantes de genética avícola no país. Unidades localizadas no Triângulo Mineiro operam nos níveis mais elevados da hierarquia genética e apresentam produção mensal estimada em cerca de 400 mil matrizes, o equivalente a aproximadamente 10% das colocações mensais no Brasil. Esse crescimento tende a se traduzir em maior disponibilidade de carne de frango no mercado já a partir do primeiro trimestre de 2026.
Paralelamente, novas estruturas vêm ganhando relevância no estado de São Paulo, com registros de entrada de aves destinados à formação de plantel reprodutor. Esses volumes acumulados indicam potencial para a formação de um contingente superior a 4 milhões de matrizes, o que corresponde a cerca de 8% do plantel nacional. A expectativa é de que essas unidades iniciem a geração de matrizes no início de 2026, com impacto sobre a oferta de carne de frango a partir do segundo semestre do ano.
Do ponto de vista da oferta, a entrada simultânea dessas novas estruturas adiciona incerteza quanto ao tamanho efetivo e ao destino da capacidade adicional. As instalações podem ser direcionadas tanto à ampliação da oferta doméstica quanto à exportação de matrizes para outros países da América do Sul, aproveitando vantagens competitivas associadas aos custos de produção no Brasil.
No ambiente de mercado, os preços da carne bovina permanecem como a principal variável de monitoramento. Movimentos de alta no boi tendem a reforçar o consumo de frango e podem postergar eventuais desequilíbrios entre oferta e demanda. O frango vem ampliando sua participação no consumo de proteínas no país, com volumes já superiores aos observados para carne bovina e suína. Como uma das proteínas de menor custo ao consumidor, o frango se destaca por não ter superado a renda média das famílias brasileiras ao longo da última década.
Apesar do aumento da produção, a demanda tem absorvido a oferta adicional, indicando uma base de consumo considerada resiliente. Estimativas apontam que pequenas variações na relação de preços entre carne bovina e frango podem gerar mudanças relevantes na participação do frango no consumo total de proteínas. Dados públicos indicam que as famílias brasileiras destinam parcela significativamente menor da renda ao consumo de frango em comparação à carne bovina, mesmo com volumes consumidos mais elevados, o que reforça o potencial de sustentação da demanda em cenários de maior competitividade relativa dessa proteína. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.