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23/Jun/2025

Frango: caso de gripe aviária está resolvido no Brasil

Publicada em edição extra do Diário Oficial, a Portaria MAPA Nº 809, de 18 de junho de 2025, permitiu vislumbrar, novamente, a possibilidade de um livre acesso da carne de frango brasileira ao mercado internacional. O Ministério da Agricultura declarou o fim do estado de emergência zoossanitária no município de Montenegro (RS) em função da detecção de infecção pelo vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em estabelecimento de aves comerciais.

É a declaração oficial de que a avicultura comercial do País se encontra livre do vírus. Porém, tão ou mais importante para os parceiros brasileiros importadores de carne de frango é a manifestação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Nela, o caso em pauta, classificado como Evento 6484, é considerado “Resolvido”. É a chave que permite reabrir de vez as portas do mercado externo à carne de frango do Brasil.

Quase um mês depois do vazio sanitário (28 dias sem novos focos em granjas comerciais), o Ministério da Agricultura enviou à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a documentação que embasa a autodeclaração de país livre da gripe aviária. A medida encerra o curto bloqueio sanitário que reduziu drasticamente as vendas externas do maior exportador de frango do planeta. A autodeclaração brasileira é a peça que faltava para recolocar o frango nacional na rota do comércio mundial, mas os importadores ainda precisam tirar o País da “ban list” (lista de proibições).

1 - Restrições tendem a cair gradualmente, não de uma vez

O selo internacional da OMSA deve sair em alguns dias. Mas ele não reabre, por decreto, mercados fechados às pressas em maio. Cada um dos mais de 40 mercados que impuseram restrições (incluindo 20 países com proibição total e os 27 da União Europeia) terá de revisar acordos sanitários, processo que deve ocorrer em ondas, começando pelos parceiros que já vinham adotando embargos regionais, como Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Isso é importante porque sem o aval formal da OMSA e a revalidação dos protocolos bilaterais, os frigoríficos não conseguem embarcar mercadoria e tampouco contratar seguro-carga internacional.

2 - Como fica o comércio global de proteína animal

O Brasil responde por mais de um terço do comércio mundial de carne de frango e exporta cerca de 35% de tudo o que produz. Num mercado em que o consumidor global migra para proteínas mais baratas, deixar o País fora de jogo pressiona preços em toda a cadeia nos quatro cantos do globo. Para 2025, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetava que dois terços do crescimento das exportações mundiais viriam justamente do Brasil. A interrupção obrigou importadores a buscarem fornecedores alternativos (Argentina, Tailândia, Estados Unidos) pagando prêmios que corroeram margens de varejistas e redes de “food service”.

3 - O que acontece agora para megaexportadoras como JBS e BRF

Empresas como JBS e BRF voltam a vislumbrar recomposição de volumes de vendas no exterior e recuperação futura de contratos que migraram temporariamente para concorrentes. O surto reforçou a necessidade de protocolos de biossegurança mais rígidos e caros, despesa que veio para ficar.

4 - Impacto para investidores do setor

O reingresso pleno das empresas brasileiras nos mercados depende do tempo de resposta de China e União Europeia, que juntas compram quase 30% do frango brasileiro. Enquanto isso, a volatilidade nas ações tende a persistir.

5 - O que o governo pode fazer agora

Depois do surgimento do foco em Montenegro (RS), as autoridades brasileiras agiram em duas frentes: cumpriram os protocolos sanitários para evitar o surgimento de novos focos no Brasil enquanto negociavam com os principais clientes a regionalização de embargos: se um novo foco surgisse, o bloqueio ficaria restrito ao raio de quarentena, não ao País inteiro. A partir de agora, é hora de gestão política do Ministério da Agricultura junto a parceiros internacionais para normalizar as exportações de frango do País.

6 - Efeito na inflação e nos supermercados

Com o Brasil de volta ao mercado, analistas esperam alívio nos preços globais do frango a partir do terceiro trimestre. Para o IPCA (principal índice de inflação do País), qualquer recuo no atacado costuma chegar às gôndolas de 60 a 90 dias, variável chave num ano de taxa Selic ainda alta e renda comprimida.

Fonte: AviSite. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.