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20/Jun/2025

Boi: abate de fêmeas atinge maior nível da história

A retenção de fêmeas nas fazendas brasileiras principalmente em 2021 combinada ao aumento da inseminação de matrizes de corte naquele ano impactou a estrutura de produção dentro da porteira. Os reflexos têm sido vistos em recorde tanto do número de cabeças abatidas quanto da produção de carne desde o ano passado. A divulgação recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detalhando os abates no primeiro trimestre de 2025 vem a confirmar o que tem sido observado nos últimos dois anos. No acumulado de janeiro a março foram abatidos 9,87 milhões de bovinos, aumento de cerca de 567 mil bovinos, ou de 6,1%, em relação ao mesmo período de 2024, configurando-se recorde para um primeiro trimestre.

No comparativo com os demais trimestres do ano, esse volume ficou atrás apenas dos segundo e terceiro trimestres de 2024, quando foram abatidos respectivamente 9,96 milhões de cabeças e 10,37 milhões de cabeças. Os abates do primeiro trimestre, no entanto, somaram volume de carne apenas 2,2% maior que em intervalo equivalente de 2024. Em outras palavras, a produtividade média baixou, 3,6%. A análise dos dados por categoria mostra que tanto os bois, quanto as vacas e as novilhas tiveram peso médio no primeiro trimestre inferior ao de um ano atrás. Somente a categoria “novilhos”, que se refere a machos entre 1 e 2 anos, é que teve aumento do peso médio, “efeito China”.

Mas, esta queda de peso não foi o único motivo para a diminuição da produtividade média. A pressão veio também do aumento de fêmeas no total abatido. Tradicionalmente, o primeiro trimestre é o período em que se abate mais fêmeas, mas os dados mensais têm mostrado crescimento, mês a mês, de novembro/2024 até março/2025, dado mais recente. As fêmeas evoluíram de 37,6% do total abatido em outubro para 50,7% em março. Foi a primeira vez em que a fêmeas representaram mais da metade do total abatido. O total de 1,67 milhão de fêmeas abatidas em março foi quase 18% maior que o de março do ano passado.

Vacas e novilhas somaram 4,85 milhões de cabeças abatidas no trimestre, este, sim, recorde histórico trimestral. Nunca antes o Brasil havia abatido tanta fêmea como no primeiro trimestre de 2025. As fêmeas corresponderam a 49,17% do total abatido no período. Desse total, as vacas adultas representaram 67,7% e as novilhas, 32,3%. O aumento no abate de bovinos como um todo reflete o maior uso de tecnologia nos últimos anos, o que tem elevado os índices zootécnicos. Nos anos 2000, a taxa de prenhez do rebanho de vacas era de 40%; atualmente, é de 70%, ou seja, 30% a mais de bovinos sendo produzidos, entre machos e fêmeas, maior volume para reprodução e abate. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.