28/Aug/2024
Há dois anos, os frangos dos aviários da granja de Sérgio Antônio Farinha Dias, em Rondon (PR), vivem em uma espécie de “Big Brother”. As aves são monitoradas por câmeras e sensores, que transformam em dados cada movimento: quanto comeram, o volume de água que consumiram, como se comportou sua temperatura e sua respiração. Todas essas informações ajudam o criador a se antecipar a eventuais problemas sanitários dentro dos aviários. Dias é um dos 469 produtores integrados da GTFoods, a sexta maior produtora de carne de frango do Brasil, que adotaram o sistema nos últimos sete anos. Ao todo, a empresa mantém cerca de 900 aviários, próprios e de integrados. Inicialmente restrito à pesagem das aves, o monitoramento remoto dos aviários ganhou novos dispositivos ao longo dos anos até chegar ao modelo atual, que cobre todas as etapas da produção. As aves são monitoradas por 24 horas por dia, do primeiro ao último dia em que ficam no aviário, o que dá condições de se estabelecer e verificar o que está acontecendo dentro das instalações.
Com isso, é possível interferir para melhorar a condição para as aves e ter o melhor desempenho com o menor custo possível. Segundo a GTFoods, foi graças ao barateamento da tecnologia que a adoção do sistema se disseminou entre os integrados. Na prática, a empresa financia a aquisição dos equipamentos, e os avicultores têm até dois anos para quitar o empréstimo. A companhia desconta da produção entregue ao longo desse período o valor das prestações. A startup Agrisolus é a responsável pela operação do sistema, que custou R$ 30 milhões até o momento. Ele chegará a todos os integrados da GTFoods nos próximos 18 meses, período em que a companhia investirá mais R$ 30 milhões no projeto. É uma mudança de paradigma. Antes, havia uma visita técnica orientada pela experiência do técnico, e agora isso passa a ser orientado por dados. É algo que, realmente, muda o jogo da avicultura, comenta a Agrisolus. O principal salto tecnológico do sistema foi uso conjunto de câmeras de monitoramento com ferramentas de inteligência artificial para avaliar o comportamento das aves.
A movimentação do frango diz muito sobre o lote. À distância e pelo celular, o técnico pode averiguar o bem-estar de toda a granja e se antecipar a problemas comportamentais e de saúde. Isso permite reduzir o uso de medicamentos. Graças à possibilidade de identificar de forma antecipada a mudança de comportamento das aves, o sistema tem proporcionado um retorno de 15% a 37% para as granjas que já o instalaram, segundo a Agrisolus. O cálculo leva em consideração tanto a redução dos gastos veterinários quanto o aumento da produtividade. Nesse caso, o ganho é uma consequência da melhoria do bem-estar das aves, que eleva a taxa de conversão alimentar. Como essa é a base da remuneração do avicultor, ela ajuda muito a elevar o ganho financeiro do produtor. E, para os integradores, é um fator de redução de custo. Todos acabam sendo beneficiados. Por isso, esse é o caminho certo e a empresa trabalha para levar a tecnologia ao maior número de aviários possível. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.