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16/Mai/2019

Boi: arroba não acompanha valorização do bezerro

Na primeira quinzena deste mês, o preço médio do boi gordo em São Paulo registrou pequenas oscilações, mas a média da parcial de maio está em R$ 152,67 por arroba, sendo 3% inferior à do mês anterior. O Indicador do bezerro ESALQ/BM&F (Mato Grosso do Sul, bovino nelore, de 8 a 12 meses) registra movimento de alta. Na parcial deste mês, a média está em R$ 1.293,32, alta de 3,3% em relação à de abril. Nesse cenário, a relação de troca de um boi gordo (de 17 arrobas, com venda no mercado de São Paulo) por bezerro (compra em Mato Grosso do Sul) está em 2,01 bezerros, 6% abaixo da verificada em abril, quando a venda de um bovino para abate possibilitava a aquisição de 2,14 bezerros.

Enquanto os preços do boi gordo estão enfraquecidos devido à pressão compradora, os do bezerro estão em alta diante da postura mais firme de criadores. Como as pastagens estão em boas condições em muitas regiões, parte dos produtores tem preferido manter os bois no pasto, à espera de mais elevações nos preços. Além disso, o período de vacinação contra a febre aftosa também afastou alguns criadores do mercado neste mês e reduziu o ritmo das atividades de leiloeiras. Num cenário de longo prazo, a relação de troca atual é a mais desfavorável ao pecuarista de recria-engorda desde julho de 2017, quando a venda de um boi gordo possibilitava a compra de 1,89 bezerro, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de abril/2019).

Vale lembrar que, em 2017, a pecuária nacional passava por um dos períodos mais turbulentos. A operação Carne Fraca da Polícia Federal (deflagrada em março de 2017), a delação da maior indústria frigorífica brasileira (que resultou em forte redução da compra de animais por parte desse grande player) e a retomada do desconto de Funrural desfavoreceram os negócios efetivados pelo pecuarista de engorda no primeiro semestre. Esse cenário pressionou com força as cotações da arroba naquele ano. De janeiro a julho de 2017, enquanto os preços do boi caíram 14%, os do bezerro recuaram 7%.

Com exceção de julho de 2017, a relação de troca tem se mantido acima de 2 bezerros desde julho de 2016. Analisando-se toda a série histórica (iniciada em 2000 para o bezerro), o momento mais favorável ao pecuarista de recria-engorda foi verificado em novembro de 2004, quando a venda de um boi gordo permitia a compra de 2,82 bezerros. Naquele mês, a entressafra, que era mais intensa que atualmente, tendo em vista que o volume de bovinos em confinamento era inferior ao visto em anos recentes, impulsionava os valores da arroba do boi. Os momentos mais desfavoráveis ao pecuarista de recria-engorda foram observados em maio e junho de 2015, quando o boi gordo rendia 1,76 bezerro.

Neste caso, 2015 foi um ano marcado por expressivas altas nos preços de bezerro, ao passo que os valores do boi gordo estavam enfraquecidos. No primeiro semestre de 2015, os valores do bezerro subiram mais de 12%, ao passo que a arroba se desvalorizou 2,21%. As altas nos preços do bezerro ao longo de 2015 estavam atreladas à baixa oferta, principalmente de boa qualidade. Além do desestímulo à cria em anos anteriores, o volume baixo refletia a falta de chuva no correr de 2014, que prejudicou a taxa de prenhez das vacas, o intervalo entre partos e o desenvolvimento desses bovinos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.