06/Nov/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York fecharam em alta nesta quinta-feira (05/11). O vencimento março de 2027 avançou 9 pontos (0,49%), e fechou a 18,56 centavos de dólar por libra-peso. A valorização foi sustentada pela recuperação das cotações internacionais do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol frente ao açúcar, e pelos atrasos persistentes na moagem de cana-de-açúcar no Brasil. No cenário produtivo brasileiro, levantamento da consultoria Datagro aponta que as chuvas frequentes provocaram uma perda acumulada de 28,6 dias de moagem no Centro-Sul, mais que o dobro da média histórica de 13,6 dias. Com isso, cerca de 50 milhões de toneladas de cana permanecem nos canaviais, aguardando condições para o processamento. Boletim do Ministério da Agricultura (Mapa), referente à primeira quinzena de outubro, indicou recuo de 27,1% na fabricação de açúcar, para 1,87 milhão de toneladas.
No acumulado da safra 2026/27, a produção somou 30,8 milhões de toneladas, queda de 14,6% em relação ao mesmo período da temporada anterior. Na avaliação do Rabobank, o Centro-Sul deverá produzir 37,4 milhões de toneladas de açúcar no atual ciclo. Entre 20 milhões e 30 milhões de toneladas de cana bisada permanecem no campo para processamento no próximo ano agrícola. No balanço global, o Rabobank projeta déficit de 2,2 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, enquanto a Datagro estima saldo negativo de 4,3 milhões de toneladas. Na Ásia, a produção de açúcar da Índia em outubro alcançou 845 mil toneladas, das quais 720 mil toneladas foram registradas no estado de Maharashtra. O início antecipado da moagem, contudo, teve como objetivo atender à demanda dos festivais locais e não representa, necessariamente, uma indicação de aumento da produção total indiana na temporada. Assim, as perspectivas de oferta global continuam condicionadas à evolução da moagem no Brasil e ao desempenho da produção nos principais países produtores.