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05/Nov/2026

Açúcar: atraso na moagem do Brasil eleva futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York fecharam em alta nesta quarta-feira (04/11), sustentados pelos atrasos acumulados na colheita de cana-de-açúcar no Brasil em decorrência das tempestades e pelas projeções de déficit no balanço global da safra 2026/27. O contrato com vencimento em março de 2027 avançou 14 pontos (0,76%), e fechou a 18,47 centavos de dólar por libra-peso, com a entrada de ordens de compra diante das perspectivas de restrição da oferta. No Brasil, os impactos das chuvas sobre as operações no Centro-Sul continuam limitando o processamento de cana-de-açúcar.

Boletins da consultoria Datagro indicam perda acumulada de 28,6 dias de moagem na região, mais do que o dobro da média histórica de 13,6 dias. O atraso equivale a aproximadamente 50 milhões de toneladas de cana que permanecem paradas no campo. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também apontam retração de 27,1% na fabricação de açúcar na primeira quinzena de outubro, para 1,87 milhão de toneladas. No acumulado da safra, a produção recuou 14,6%, para 30,8 milhões de toneladas.

No cenário internacional, a Datagro projeta déficit mundial de açúcar de 4,3 milhões de toneladas na safra 2026/27. Na União Europeia, a Comissão Europeia reduziu a estimativa de produção do bloco para 12,9 milhões de toneladas, queda de 22,2%, reforçando as preocupações com a disponibilidade global do açúcar. Na Ásia, a Federação Nacional das Cooperativas de Açúcar da Índia informou que a produção acumulada em outubro alcançou 845 mil toneladas, das quais 720 mil toneladas foram produzidas em Maharashtra. O volume reflete a antecipação da moagem para atender à demanda dos festivais no país, mas também levanta dúvidas sobre o rendimento final de sacarose e o desempenho produtivo ao longo da temporada.