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05/Nov/2026

Combustíveis: preços poderiam dobrar sem subsídios

Os preços dos combustíveis no Brasil poderiam estar próximos do dobro dos valores atualmente praticados nas bombas caso o governo não tivesse adotado medidas para limitar o repasse do choque internacional do petróleo provocado pela guerra no Irã, iniciada no fim de fevereiro. A avaliação de representantes do setor é que a combinação de aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desonerações tributárias e concessão de subsídios e subvenções evitou uma pressão ainda maior sobre a inflação, mas provocou distorções no mercado e reduziu a competitividade de importadores e refinarias privadas. Segundo a Refina Brasil, o preço do diesel poderia estar aproximadamente duas vezes maior sem as subvenções governamentais. A Petrobras estaria comercializando o combustível por cerca de metade do valor praticado no mercado internacional, abrindo mão de receitas para conter os preços domésticos.

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) dimensionam a diferença. O preço médio do diesel da Petrobras nas refinarias está em R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 por litro no mercado internacional, o equivalente a aproximadamente 47% da referência externa. Na gasolina, o preço praticado pela estatal é de R$ 3,80 por litro, enquanto a cotação internacional alcança cerca de R$ 7,00 por litro. Para amortecer os efeitos do choque externo, a Petrobras elevou o processamento de petróleo em suas unidades, operando próximo de 98% da capacidade, com o objetivo de ampliar a produção de derivados e reduzir a necessidade de importações. Paralelamente, a companhia evitou repassar integralmente e de forma imediata as oscilações internacionais do petróleo e dos derivados aos preços domésticos nas refinarias. Essa estratégia foi complementada por subsídios e subvenções articulados pelo governo.

Na frente tributária, foram zerados impostos federais, como PIS/Cofins e Cide, incidentes sobre a gasolina, além da prorrogação ou ampliação de desonerações sobre o etanol. O governo também concedeu subsídios e subvenções diretas a produtores e importadores de diesel e etanol, condicionados ao repasse integral dos descontos aos consumidores. Parte do financiamento dessas medidas veio de receitas extraordinárias e da tributação sobre a exportação de petróleo. O descolamento entre os preços domésticos e internacionais, entretanto, compromete a viabilidade econômica das importações. Para Pinheiro, os importadores perderam condições de competir com a Petrobras, que consegue comercializar combustíveis abaixo das referências externas. Embora reconheça o efeito positivo das medidas sobre a inflação no curto prazo, o representante das refinarias privadas avalia que os custos econômicos e financeiros da estratégia poderão aparecer no longo prazo.

O modelo brasileiro também se diferencia das políticas adotadas em outros países, que teriam priorizado mecanismos de auxílio direcionados a segmentos específicos, como motoristas de aplicativos e empresas de transporte coletivo, em vez de intervenções mais abrangentes nos preços dos combustíveis. A Abicom considera que a estrutura de medidas adotada no Brasil acabou funcionando também como mecanismo de sustentação econômica da Petrobras. A estatal, por produzir volumes expressivos de derivados, consegue praticar preços inferiores aos internacionais e conta com compensações relacionadas à arrecadação do imposto de exportação de petróleo. O diesel acumula atualmente duas subvenções, uma de R$ 1,40 por litro, com vencimento em 12 de novembro, e outra de R$ 2,12 por litro, com encerramento previsto para o fim do mês. Somadas, as medidas representam um auxílio de R$ 3,52 por litro. Na avaliação do dirigente, após as eleições, o governo poderá iniciar uma redução gradual dos benefícios, diante dos problemas de caixa que começam a aparecer. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.