05/Nov/2026
A Raízen aprovou medidas para viabilizar a separação de suas operações de energia e combustíveis em duas companhias abertas independentes, além de um aumento de capital que poderá alcançar R$ 39,8 bilhões. As deliberações foram tomadas na sexta-feira em assembleias da Raízen e da Raízen Energia, e integram o plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em 30 de julho. No dia 3 de novembro, as ações PN da companhia recuaram 9,67% na estreia do ticker RAIZ55, que substituiu o RAIZ4. Com a mudança, a cotação foi multiplicada por 100, passando de R$ 0,30, no fechamento do dia 30 de outubro, para R$ 30,00. O papel encerrou abaixo desse nível, a R$ 27,10. Com as deliberações, os credores (bancos e detentores de títulos de dívida no Brasil e no exterior) e a Shell terão maioria nos conselhos das duas empresas.
A Raízen recorreu à renegociação com credores após seu endividamento chegar a R$ 65 bilhões. Com a separação, a Raízen Energia concentrará as atividades de produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen S.A. ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A segregação resultará em “duas companhias abertas, independentes e listadas”, segundo o comunicado da companhia. A efetivação da operação, porém, depende do cumprimento das condições suspensivas previstas no plano e das exigências legais aplicáveis. O aumento de capital anunciado poderá atingir, no máximo, R$ 39,8 bilhões, considerando a hipótese de a holding Cosan não exercer seu direito de preferência na subscrição de ações preferenciais classe B. Será admitida a homologação parcial da operação.
A capitalização prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e, potencialmente, de R$ 500 milhões pelo family office Aguassanta Participações, da família Ometto. A operação também envolverá a conversão em capital de parte dos créditos detidos pelos credores e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas. A reorganização prevê ainda a redução do capital social da Raízen S.A. em até R$ 35 bilhões, mediante a entrega aos acionistas de valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia. As assembleias gerais extraordinárias realizadas na sexta-feira também aprovaram chapas únicas, com sete membros titulares e sete suplentes para cada conselho. Os mandatos terão duração de três anos, a partir da homologação do aumento de capital da Raízen S.A. O empresário Rubens Ometto poderá manter um assento em ambos os colegiados caso o Aguassanta participe da capitalização da Raízen S.A., com aporte de R$ 500 milhões.
Caso contrário, a vaga será ocupada por Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell. Na Raízen S.A., Samuel Aguirre foi indicado para presidir o conselho. Também foram indicados André Dorf, Maria Gordon e Paulo Souza Queiroz Figueiredo, pelos credores, além de Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra, pela Shell. Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para presidir o conselho da Raízen Energia. A chapa inclui ainda Kenneth John Monaghan, Mário Martins Peixoto Netto e Nelson da Silva Cardoso de Oliveira, indicados pelos credores, além de Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra, pela Shell. “A eleição dos novos conselheiros e a indicação antecipada dos líderes das futuras empresas segregadas trazem previsibilidade e garantem a continuidade da execução do nosso plano de transformação operacional e financeira”, afirmou o CEO da Raízen, Nelson Gomes.
A atual administração das companhias permanece inalterada até o cumprimento das condições precedentes do plano de recuperação extrajudicial e a homologação do aumento de capital. As assembleias aprovaram ainda alterações na estrutura de capital e nas classes de ações, com a possibilidade de emissão de ações preferenciais classe B, a reclassificação das atuais ações preferenciais como classe A e a emissão de units (pacotes de ativos financeiros negociados em Bolsa). Também foi aprovado o aumento do capital autorizado, que permitirá ao conselho de administração deliberar sobre a capitalização. As alterações estatutárias aprovadas nas assembleias somente produzirão efeitos após a homologação do aumento de capital da Raízen S.A., conforme previsto no plano de recuperação extrajudicial. O conselho de administração da Raízen tem reunião prevista para o dia 6 de novembro para deliberar sobre a aprovação do aumento de capital.
Essa será também a data de corte para o exercício do direito de preferência, que caberá aos titulares de ações ordinárias e/ou preferenciais classe A ao final do pregão da B3. O período para exercício do direito de preferência será de 9 de novembro a 8 de dezembro. A partir do dia 9, as ações serão negociadas sem esse direito, de modo que os papéis adquiridos a partir dessa data não darão direito a participar do aumento de capital. A operação compreenderá três emissões simultâneas: ações ordinárias, ao preço de R$ 0,25 por ação; ações preferenciais classe B, também a R$ 0,25 por ação; e units, compostas por uma ação ordinária e uma preferencial classe A, ao preço de R$ 0,50 por unidade. A Raízen também informou que iniciará os trabalhos preparatórios para um processo competitivo destinado a avaliar um eventual investimento no negócio de distribuição de combustíveis. A iniciativa poderá incluir uma oferta pública secundária e será conduzida pela nova administração indicada para essa operação. Na semana passada, a empresa havia firmado um acordo com o Fisco, com desconto de R$ 8,5 bilhões em sua dívida tributária. Segundo a empresa, foi um passo importante no processo de recuperação extrajudicial, configurando uma das condições precedentes necessárias para a efetivação do plano de reestruturação financeira. Fonte: Broadcast Agro.