14/Oct/2026
Segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), a produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, diante do avanço das chuvas, que prejudica o ritmo de colheita e moagem de cana-de-açúcar. A OIA reduziu sua estimativa em relação à projeção anterior, de 39 milhões de toneladas, e avalia que o volume poderá ficar significativamente abaixo de 38 milhões de toneladas caso as precipitações previstas se confirmem. Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda superior a 30% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de açúcar no intervalo recuou para 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes. Com esse desempenho, a produção acumulada desde 1º de abril alcançou 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo dos 30,4 milhões de toneladas registrados em igual período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.
O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da temporada. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda registrava crescimento de 2,1% em relação ao ciclo anterior. Até meados de setembro, porém, o volume passou a apresentar queda de 1,5%, totalizando 443,7 milhões de toneladas. A combinação de menor processamento e condições climáticas desfavoráveis reduz a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar e amplia o risco de encerramento da safra com produção inferior à inicialmente projetada. A composição do mix industrial também contribui para limitar a oferta de açúcar. Até o momento, as usinas destinaram 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível à produção de etanol, ante 47,7% na mesma etapa da safra passada. Segundo a OIA, a alta dos preços do biocombustível elevou a paridade entre açúcar e etanol para cerca de 16,00 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.
Essa relação econômica favorece a destinação de maior parcela da matéria-prima ao etanol, em detrimento da fabricação de açúcar. No mercado externo, as exportações brasileiras de açúcar bruto também registraram retração. Em agosto, os embarques somaram 2,7 milhões de toneladas, ante 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, o volume exportado ficou 2,2 milhões de toneladas abaixo do registrado em igual intervalo do ano passado. Apesar da perspectiva de menor oferta na safra 2026/27, a organização identificou operações expressivas de hedge realizadas pelas usinas brasileiras para 2027, aproveitando os preços mais elevados. O movimento sinaliza intenção de ampliar a produção de açúcar no próximo ano. A concretização dessa estratégia dependerá das condições climáticas, do ritmo de moagem e da rentabilidade relativa entre açúcar e etanol, fatores que deverão influenciar a distribuição da matéria-prima e o volume disponível para exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.