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14/Oct/2026

Açúcar: preços estáveis e comercialização lenta

Em São Paulo, os preços do açúcar cristal registram um modesto avanço nos últimos sete dias, mantendo um padrão que se repete desde a última semana de julho, quando o mercado reverteu a tendência de queda nominal. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de São Paulo) tem média de R$ 122,74 por saca de 50 Kg, alta de apenas 1,06% nos últimos sete dias (R$ 121,45 por saca de 50 Kg). A oscilação contida para o mercado spot do cristal branco, contudo, não sinaliza equilíbrio, e sim impasse. As usinas hesitam quanto ao melhor destino para o produto, divididas entre um mercado externo cuja remuneração em Reais perdeu atratividade e um mercado interno que não oferece estímulo adicional. Os compradores, por sua vez, diante de preços estáveis, não veem urgência em antecipar aquisições.

O resultado é um mercado que gira em torno de si mesmo, à espera de um vetor que a própria conjuntura doméstica não parece capaz de produzir. Esse vetor, se vier, tende a vir de fora, onde o comportamento foi oposto. Na Bolsa de Nova York, os contratos de açúcar demerara operam com forte volatilidade. O vencimento Março/27 rompeu os 20,00 centavos de dólar por libra-peso no dia 5 de outubro, e chegou à máxima intradiária de 21,24 centavos de dólar por libra-peso no dia 7 de outubro. No dia 8 de outubro, recuou 68 pontos com a realização de lucros e a retração dos compradores no mercado físico. No dia 9 de outubro, fechou a 20,27 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,7% nos últimos sete dias. A média semanal, de 20,56 centavos de dólar por libra-peso, está 8,3% acima dos 18,98 centavos da semana anterior.

Daí o paradoxo que ajuda a explicar a cautela interna: na Bolsa de Nova York rompeu a barreira dos 20,00 centavos de dólar por libra-peso, mas a remuneração em Reais das exportações brasileiras recuou. O contrato Março/27 subiu 1,7% em dólares, mas seu valor convertido em moeda nacional caiu 2,8%, de R$ 2.292,00 por tonelada para R$ 2.228,00 por tonelada. O câmbio teve efeito duplo: contra o exportador, comprimiu a receita em Reais e enfraqueceu o incentivo para direcionar volumes ao mercado externo; a favor do preço internacional, o mesmo desestímulo às vendas brasileiras ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Nova York. Para o mercado doméstico, porém, o saldo foi neutro: a valorização externa não se converteu em paridade de exportação mais atrativa, e, por isso, não deu suporte aos preços internos. A oferta no Centro-Sul reforça o quadro de indefinição.

As chuvas persistentes atrasaram a colheita e reduziram o teor de sacarose da cana-de-açúcar, o que desloca o mix para o etanol mesmo com o açúcar remunerando mais. Trata-se de uma restrição técnica, não de uma escolha comercial das usinas, e, por isso, a oferta de cristal responde menos aos preços do que a paridade sugeriria. Essa rigidez, que sustenta as cotações externas, é a mesma que imobiliza o mercado interno: a oferta não cresce com preços melhores, a demanda não se apressa diante da estabilidade e a exportação perdeu atratividade com o câmbio. Até que uma definição cambial, uma reação da oferta ou um movimento externo mais forte quebre essa inércia, o mercado doméstico tende a seguir em compasso de espera, recebendo a volatilidade de Nova York apenas como ruído. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,51 por saca de 5 Kg, alta de 1,28% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 3,12 por Kg, elevação de 2% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.