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14/Oct/2026

Petróleo: preço elevado com guerra no Oriente Médio

A persistência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã mantém elevada a incerteza sobre a trajetória do petróleo e dificulta a previsão de uma solução para o conflito. Mais de sete meses após o início das hostilidades, limites econômicos que bancos e consultorias consideravam improváveis de serem ultrapassados pelo governo norte-americano já foram superados, incluindo cotações acima de US$ 100,00 por barril, preços elevados de gasolina e diesel e avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Nesse cenário, projeções indicam o Brent a US$ 87,00 por barril no 4º trimestre de 2026 e preço médio de US$ 80,00 por barril em 2027. O Commerzbank elevou sua previsão para o Brent no fim de 2026 de US$ 75,00 para US$ 85,00 por barril. O HSBC revisou a estimativa para o 4º trimestre deste ano de US$ 80,00 para US$ 90,00 por barril e avalia que o mercado global de petróleo provavelmente não voltará ao equilíbrio antes de meados de 2027.

O cenário-base do banco considera um entendimento frágil entre Estados Unidos e Irã, sujeito a rupturas recorrentes e incertezas. Em caso de impasse diplomático e manutenção das restrições aos fluxos comerciais, os estoques poderão atingir níveis operacionais baixos, levando o Brent a aproximadamente US$ 120,00 por barril. A Rystad Energy também identifica fragilidade nas condições atuais de abastecimento. Apesar da saída de 16 milhões de barris pelo Estreito de Ormuz, os elevados custos de frete e os baixos estoques contribuem para sustentar as cotações. A consultoria estima que as perdas acumuladas de produção neste ano se aproximaram de 3 bilhões de barris. Os fluxos na região permanecem vulneráveis a novas interrupções, o que limita a redução do prêmio de risco incorporado aos preços, mesmo diante da recuperação recente dos volumes transportados. O Goldman Sachs estima que o mercado global de petróleo ficou aproximadamente equilibrado em setembro, com a recuperação das exportações do Golfo.

A adaptação da oferta do Oriente Médio e da demanda chinesa por importações sustenta a projeção de redução do Brent para US$ 85,00 por barril até o fim de 2026 e para US$ 80,00 por barril em 2027. Entretanto, o banco mantém preocupação com uma possível nova escalada do conflito que provoque danos adicionais à infraestrutura energética e gere uma alta expressiva das cotações. O Citi adota uma perspectiva mais favorável para a normalização dos fluxos comerciais. O banco considera que as discussões sobre diplomacia regional entre países do Golfo podem avançar e permitir a reabertura das rotas pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho. Nesse cenário, o Brent voltaria a recuar ao longo de 2027, com preço médio próximo de US$ 65,00 por barril à medida que o ano avançar. O JPMorgan, por sua vez, prevê preços elevados até o fim de 2026, com o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 80,00 por barril e o Brent a US$ 85,00 por barril.

Para o 1º trimestre de 2027, as estimativas são de recuo para US$ 61,00 por barril no WTI e US$ 67,00 por barril no Brent. A avaliação considera a retomada dos fluxos pelas principais rotas de exportação do Oriente Médio, mas mantém a perspectiva de que os preços permaneçam pressionados no curto prazo. A Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), vinculada ao Departamento de Energia norte-americano, também elevou suas estimativas. No relatório divulgado em 6 de outubro, a agência passou a projetar preço médio de US$ 96,00 por barril para o Brent em 2026, ante US$ 91,00 por barril na previsão anterior. Para 2027, a estimativa subiu de US$ 74,00 por barril para US$ 84,00 por barril, indicando expectativa de alívio mais limitado no mercado internacional. Na avaliação da Rystad Energy, parte do prêmio de risco associado ao conflito não deverá ser eliminada integralmente. A influência do Irã sobre o Estreito de Ormuz tende a permanecer como um fator estrutural de incerteza para o mercado.

O cenário-base da consultoria considera um impasse prolongado, com as exportações iranianas ainda limitadas pelos Estados Unidos, condição que poderá manter os preços do petróleo em patamares elevados também em 2027. Os preços dos derivados, especialmente gasolina e diesel, representam uma preocupação adicional para governos e consumidores, uma vez que os aumentos afetam diretamente os custos de transporte e energia. Nos Estados Unidos, o preço do galão de diesel ultrapassou US$ 6,00 e o da gasolina chegou a US$ 5,00 em alguns Estados antes das eleições de meio de mandato de novembro, nas quais o presidente Donald Trump buscará preservar a maioria republicana no Congresso, apesar dos baixos índices de aprovação. Diante da pressão sobre os preços dos combustíveis, os líderes do G7 anunciaram, em 2 de outubro, um pacote coordenado para reduzir a volatilidade nos mercados de energia. O plano prevê a liberação de 100 milhões de barris de estoques estratégicos ao longo de quatro meses, com início imediato e prioridade para o diesel nos primeiros 20 dias.

Em 10 de outubro, Donald Trump também anunciou um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para o fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel ao mercado norte-americano e internacional. A Rystad Energy avalia que a liberação de estoques pelo G7 pode proporcionar alívio de curto prazo, mas não altera estruturalmente as condições de oferta e demanda. A possibilidade de os Estados Unidos restringirem suas próprias exportações de combustíveis também representa um risco para o mercado internacional. O Brasil importa atualmente 25% do diesel que consome e, por isso, uma eventual limitação das exportações norte-americanas poderia provocar forte aperto na disponibilidade doméstica, com impactos sobre os preços e a segurança do abastecimento. A Agência Internacional de Energia (AIE) identifica uma deterioração mais acentuada nas condições de oferta de produtos refinados em comparação com o mercado de petróleo bruto.

A escassez de gasolina e diesel tem provocado pressões mais intensas sobre os preços físicos desses produtos do que sobre as cotações futuras do petróleo. Essa diferença reforça o risco de que os combustíveis permaneçam caros mesmo diante de uma eventual estabilização do Brent. As perspectivas para o mercado internacional continuam condicionadas à evolução do conflito, à segurança das rotas de transporte, à disponibilidade de estoques e à retomada dos fluxos de exportação. Embora parte das projeções indique recuo das cotações em 2027, a amplitude das estimativas, de US$ 65,00 a US$ 84,00 por barril para médias ou períodos específicos do próximo ano, evidencia a incerteza sobre o ritmo de normalização. Para o Brasil, além do comportamento do petróleo, a disponibilidade internacional de diesel e a possibilidade de restrições às exportações de grandes fornecedores serão determinantes para os custos de importação e os preços internos dos combustíveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.