09/Oct/2026
Segundo a StoneX, a perspectiva de produção recorde de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2027/28, combinada ao aumento da participação do açúcar no mix das usinas, deve levar o mercado global a um cenário mais baixista no segundo semestre de 2027. A projeção é de aumento significativo da oferta brasileira e maior necessidade de absorção do açúcar pelo mercado internacional. Para a safra 2027/28, a StoneX estima moagem de 660 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, com rendimento agrícola (TCH) próximo de 82 toneladas por hectare e produção de 42,4 milhões de toneladas de açúcar. A projeção é sustentada pelas condições climáticas esperadas e pelo acúmulo estimado de 32 milhões de toneladas de cana bisada, que poderá ampliar a disponibilidade de matéria-prima para o próximo ciclo. A combinação entre maior disponibilidade de cana-de-açúcar e preços já fixados para 2027/28, em torno de R$ 2.200,00 por tonelada de açúcar, tende a aumentar a atratividade da produção açucareira para as usinas.
Esse cenário favorece uma elevação da parcela de cana destinada à fabricação de açúcar, reduzindo a participação relativa do etanol no mix industrial e ampliando o potencial de oferta exportável do Brasil. A mudança no perfil da próxima safra representa um ponto de atenção para o mercado internacional, especialmente no segundo semestre de 2027. Com potencial recorde de produção brasileira, a oferta adicional deverá ser direcionada ao mercado global, aumentando a necessidade de absorção dos volumes e ampliando a pressão sobre as cotações internacionais. A alta recente dos contratos de primeiro vencimento do açúcar na Bolsa de Nova York, acima de 20,00 centavos de dólar por libra-peso, é atribuída parcialmente à atuação de fundos especulativos. A posição desses agentes teria migrado de uma posição líquida vendida de 90 mil contratos para aproximadamente 200 mil contratos comprados.
O movimento elevou as cotações para níveis considerados parcialmente desconectados das condições observadas no mercado físico no curto prazo, embora a capacidade dos fundos de ampliar a volatilidade dos preços limite a interpretação baseada apenas nos fundamentos imediatos. No curto e médio prazos, os preços internacionais ainda encontram sustentação na expectativa de déficit global de 900 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27. A produção da União Europeia e do Reino Unido deve recuar em 3,3 milhões de toneladas, atingindo o menor volume desde a década de 1980. Na Índia, as monções teriam terminado com déficit de 13% em relação à média, enquanto o acumulado de chuvas na Tailândia estaria 11% abaixo do padrão normal, fatores que limitam a recuperação da oferta em importantes regiões produtoras. No Brasil, a StoneX estima processamento de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27.
O volume de chuvas entre maio e setembro ficou 90% acima da média histórica, provocando atrasos na colheita e contribuindo para a extensão do período de moagem. A expectativa é de que a maioria das usinas mantenha as operações industriais até a primeira ou a segunda quinzena de dezembro. O balanço do mercado, portanto, tende a apresentar uma mudança importante entre as safras. Enquanto 2026/27 permanece sustentada por um déficit global estimado e por restrições de oferta em importantes produtores, a safra 2027/28 incorpora uma expansão expressiva da produção brasileira. O aumento da moagem para 660 milhões de toneladas, a possibilidade de TCH próximo de 82 toneladas por hectare, o estoque de 32 milhões de toneladas de cana bisada e a maior participação do açúcar no mix das usinas ampliam o potencial de oferta e podem deslocar o mercado internacional para um ambiente mais baixista a partir do segundo semestre de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.