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09/Oct/2026

Açúcar: USDA reduz projeção de produção no Brasil

O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília reduziu a estimativa para a produção de açúcar do Brasil na safra 2026/27, de 42,5 milhões para 42,2 milhões de toneladas. O ajuste reflete a desaceleração da moagem no Centro-Sul após chuvas irregulares e atípicas registradas em agosto e setembro. A nova projeção representa queda de 2,53% ante as 43,295 milhões de toneladas produzidas na temporada 2025/26. O Centro-Sul deve responder por 38,7 milhões de toneladas da produção nacional em 2026/27, enquanto o Norte-Nordeste deve produzir 3,5 milhões de toneladas. Em contrapartida, a estimativa para a produção total de cana-de-açúcar em 2026/27, considerando o período de abril a março, foi elevada de 675 milhões para 695 milhões de toneladas, volume 5,3% superior às 660 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A revisão reflete as condições climáticas favoráveis observadas no Centro-Sul durante o período de desenvolvimento dos canaviais. Para a região, a projeção foi ampliada de 620 milhões para 640 milhões de toneladas, enquanto a estimativa para o Norte-Nordeste foi mantida em 55 milhões de toneladas. Mesmo com a maior disponibilidade estimada de cana-de-açúcar, o mix de produção deve permanecer mais direcionado ao etanol. O USDA projeta que 49% da cana será destinada à produção de açúcar em 2026/27, ante 49,5% na temporada anterior, enquanto a participação do etanol deve aumentar de 50,5% para 51%. A elevação da participação da cana-de-açúcar destinada ao etanol ocorre mesmo diante da recente alta dos preços internacionais do açúcar, indicando maior atratividade relativa do biocombustível na composição industrial das usinas.

A menor disponibilidade de açúcar também deve resultar em redução das exportações brasileiras. O USDA cortou a estimativa de embarques em 2026/27 de 33,6 milhões para 33,3 milhões de toneladas, ante 34,05 milhões de toneladas exportadas entre abril de 2025 e março de 2026. Do total projetado para a próxima temporada, 29,2 milhões de toneladas deverão corresponder a açúcar bruto e 4,1 milhões de toneladas a açúcar refinado. As chuvas no Centro-Sul também alteram o calendário de encerramento da moagem. Várias usinas da região devem estender as operações para além da tradicional parada de manutenção em novembro, mantendo a moagem ao longo de dezembro. A possibilidade de uma safra mais longa, porém, aumenta a perspectiva de formação de volume significativo de cana bisada, que poderá ser processado na temporada 2027/28.

Esse cenário pode contribuir para uma moagem recorde no próximo ciclo, mas também elevar os riscos de pressão sobre os rendimentos industriais e a qualidade da matéria-prima. O quadro combina, portanto, maior oferta potencial de cana no ciclo 2026/27 com menor produção de açúcar, em razão de um mix mais favorável ao etanol e da desaceleração da moagem no Centro-Sul. Para o mercado de açúcar, a redução da produção e das exportações brasileiras tende a limitar a disponibilidade para o comércio externo, enquanto a possibilidade de carregamento de cana para a temporada seguinte amplia a relevância das condições climáticas e da capacidade industrial no início de 2027/28. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.