09/Oct/2026
O transporte marítimo pode se consolidar como uma nova fronteira para o etanol brasileiro, impulsionado pelo processo de descarbonização da navegação. A combinação entre a vocação agrícola do Brasil, a extensão territorial e, principalmente, o avanço da produção de etanol de milho coloca o País em posição favorável para atender à demanda potencial por biocombustíveis no transporte marítimo. O chamado biobunker, combustível de origem renovável destinado à navegação, pode apresentar ritmo de desenvolvimento mais acelerado que outros mercados emergentes, como o de combustível sustentável de aviação (SAF). Na navegação, já existem testes com diferentes proporções de etanol, inclusive em concentrações de 100%, com resultados positivos, o que reduz parte das barreiras tecnológicas para a expansão dessa alternativa. A dimensão potencial desse mercado é relevante.
Caso o setor de combustíveis marítimos adotasse uma mistura de apenas 10% de etanol, o consumo poderia alcançar aproximadamente 30 bilhões de litros. Esse volume representaria parcela significativa da produção brasileira, estimada em 41,88 bilhões de litros na safra 2026/27. A abertura desse novo mercado ganha importância com o desenvolvimento de uma nova geração de embarcações preparadas para operar com combustíveis alternativos, cuja entrada em operação deve ocorrer até 2030. A expansão do biobunker, portanto, tende a criar uma demanda adicional para o etanol brasileiro, com potencial de diversificação dos mercados consumidores e redução da dependência dos segmentos tradicionais de combustíveis terrestres. Para capturar essa oportunidade, o Brasil precisará preparar a estrutura produtiva, logística e portuária para atender à eventual expansão da demanda.
A criação de regras claras e maior previsibilidade regulatória também será relevante para viabilizar investimentos em produção, armazenamento, distribuição e abastecimento de embarcações. O governo federal já iniciou discussões para a regulamentação desse mercado. Empresas do setor marítimo e de mineração já avançam em testes e adaptações para o uso de biocombustíveis. Vale e Maersk estão entre as companhias que vêm avaliando tecnologias e combustíveis alternativos para embarcações, com resultados positivos. O movimento indica que o uso de biocombustíveis na navegação começa a avançar da fase experimental para aplicações comerciais, ampliando as perspectivas de criação de um novo mercado para o etanol brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.