09/Oct/2026
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta superior a 4% nesta quarta-feira (08/10), impulsionados pela intensificação dos ataques no Oriente Médio, que aumenta os riscos sobre a infraestrutura de produção da commodity na região. A escalada das ofensivas se sobrepôs às sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não pretende retomar os bombardeios contra Teerã antes das eleições de meio de mandato. Ao mesmo tempo, o início da temporada de furacões no Golfo do México amplia os riscos para a oferta norte-americana de petróleo e gás. Na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 4,07%, equivalente a US$ 4,08, a US$ 104,28 por barril. Na Nymex, o petróleo WTI para novembro avançou 3,64%, ou US$ 3,21, para US$ 91,49 por barril.
A diferença entre os movimentos dos dois contratos mantém o mercado atento tanto aos riscos de oferta no Oriente Médio quanto às possíveis interrupções na produção norte-americana. No Oriente Médio, o porta-voz militar dos Houthis do Iêmen, brigadeiro-general Yahya Saree, informou que o grupo atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita, com um míssil balístico. Segundo os Houthis, o ataque provocou danos e interrompeu o tráfego aéreo no aeroporto saudita. Na véspera, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que um navio-tanque foi atingido por múltiplos projéteis no Golfo Pérsico, ao norte do Catar, com relatos de vítimas. A sequência de ocorrências amplia o prêmio de risco associado à produção, ao transporte e à exportação de petróleo na região.
No campo diplomático, Donald Trump sinalizou que os Estados Unidos mantêm discussões produtivas com o Irã e que não atacarão antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, indicou que as negociações com Washington continuam em andamento, com troca de mensagens por meio de mediadores. A perspectiva de continuidade do diálogo reduz parte do risco de uma escalada militar direta, mas não elimina a preocupação do mercado diante da manutenção dos ataques e dos potenciais impactos sobre a infraestrutura energética. Nos Estados Unidos, o primeiro furacão da temporada no Oceano Atlântico, batizado como Isaías, avança em direção ao Golfo do México e já provoca transtornos em áreas da Flórida. Plataformas de produção de petróleo e gás no Golfo interromperam operações, afetando cerca de 25% da produção local.
A interrupção da atividade ocorre em um momento de maior sensibilidade dos preços aos riscos de oferta, reforçando a pressão sobre as cotações internacionais. O movimento dos preços também amplia os riscos inflacionários. A Capital Economics avalia que a disparada dos preços dos derivados de petróleo intensificou o impacto do choque energético sobre a inflação neste ano, levando a inflação dos combustíveis para níveis superiores aos indicados apenas pela evolução dos preços do petróleo bruto. Embora a expectativa seja de redução dessas pressões com o reequilíbrio dos mercados de petróleo e a normalização das margens de refino, a combinação entre riscos geopolíticos, interrupções de oferta e derivados mais caros aumenta a possibilidade de manutenção de uma inflação elevada por mais tempo.