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08/Oct/2026

Açúcar: futuros em alta com corte na safra da Índia

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta quarta-feira (07/10) na Bolsa de Nova York, sustentados principalmente pela revisão para baixo da produção da Índia na safra 2026/27 e por preocupações com a oferta global. O vencimento março/27, referência atual e o contrato mais líquido, avançou 1 ponto, equivalente a 0,05%, e fechou a 20,83 centavos de dólar por libra-peso. O cenário de oferta também recebeu suporte dos problemas logísticos no Porto de Santos, dos impactos das chuvas sobre a produção no Centro-Sul do Brasil e das restrições de produtividade na Europa. Esses fatores reforçaram o movimento comprador no mercado internacional, embora a valorização do dólar e a realização de lucros tenham limitado ganhos mais expressivos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a projeção para a produção indiana de açúcar na safra 2026/27 para 29,5 milhões de toneladas, ante 33,6 milhões de toneladas na estimativa anterior.

A revisão considera os efeitos do período de monções, cuja precipitação ficou 12,6% abaixo da média histórica. Na Índia, a Associação de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (Isma) reportou estoques de passagem de 3,8 milhões de toneladas, o menor nível em mais de dez anos. A menor disponibilidade indiana ocorre em um momento em que o governo local avalia restringir o uso de caldo e melaço B para a produção de etanol, com o objetivo de preservar a oferta de açúcar para alimentação. A eventual mudança na destinação desses produtos pode aumentar a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação do adoçante e reduzir a competição entre os mercados de alimentos e biocombustíveis. No Brasil, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam forte impacto das precipitações de setembro sobre a atividade industrial no Centro-Sul.

Na primeira quinzena do mês, a produção de açúcar recuou 41,6%, para 2,117 milhões de toneladas, enquanto a moagem caiu 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas. O rendimento de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) diminuiu 4,25%, para 149,59 kg por tonelada. A logística de exportação brasileira também apresentou restrições. Levantamentos da Datagro indicam que paralisações provocadas por tempestades interromperam os carregamentos no Porto de Santos (SP) por pelo menos 35 dias entre julho e setembro. A combinação de menor produção, redução do rendimento industrial e dificuldades de embarque amplia o risco de restrição temporária da oferta brasileira no mercado internacional. Na União Europeia, estimativas do ING e da Hedgepoint apontam produtividade da beterraba entre 11% e 17% abaixo da média histórica. O quadro reforça as preocupações com a disponibilidade global e aparece em diferentes projeções de balanço.

A Organização Internacional do Açúcar estima déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, a Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas, a Czarnikow prevê déficit de 2,8 milhões de toneladas em 2027/28 e o Rabobank trabalha com déficit de 3,2 milhões de toneladas. No mercado financeiro, os fundos especulativos mantêm posição comprada elevada, com saldo de 152.117 contratos na ICE, segundo o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A posição financeira reforça a sustentação das cotações, mas também aumenta a possibilidade de movimentos de realização caso fatores cambiais ou alterações nos fundamentos reduzam o suporte aos preços. O avanço das cotações foi limitado pela valorização do dólar e pela realização parcial de lucros após a renovação de máximas plurianuais. O câmbio mais valorizado favorece a fixação de vendas externas pelas usinas brasileiras e estimula movimentos de realização após a alta acumulada dos preços internacionais. No mercado de energia, o petróleo WTI registrava alta de 0,31%, equivalente a US$ 0,31, para US$ 100,58 por barril.

A valorização do petróleo oferece suporte adicional ao açúcar pela relação com a competitividade relativa do etanol, mas o mercado também incorpora as revisões de balanço de médio e longo prazo. A StoneX reduziu recentemente sua estimativa de déficit mundial de açúcar em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas, indicando um balanço menos apertado do que o projetado anteriormente. Além disso, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram retração de 9,3% na média diária das exportações brasileiras de açúcar acumuladas em setembro ante igual mês de 2025. O mercado permanece, portanto, sustentado por riscos de oferta concentrados na Índia, Brasil e União Europeia, enquanto câmbio, posições especulativas, logística e projeções divergentes para o balanço global limitam a direção das cotações. A evolução das safras e das exportações brasileiras, especialmente após os impactos climáticos de setembro, tende a permanecer entre os principais fatores de formação dos preços internacionais.