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07/Oct/2026

Cana: usinas concentram 88% da dívida privada

Conforme estudo setorial da Vitrify, com posição em 2 de outubro de 2026, o setor de açúcar e etanol possui 193 operações e 259 instrumentos financeiros em circulação no mercado de crédito privado, com saldo devedor de R$ 58,4 bilhões e volume integralizado de R$ 54,6 bilhões. Do saldo devedor, 46% estão concentrados em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e 54% em debêntures, sendo quase a totalidade enquadrada como debêntures incentivadas de infraestrutura. Em volume integralizado, o conjunto representa 14% do estoque de CRA e 1,9% do estoque de debêntures registrados na B3, evidenciando a relevância do setor sucroenergético dentro do mercado de capitais voltado ao financiamento de atividades produtivas e de infraestrutura. As usinas concentram a maior parcela do endividamento, com R$ 51,4 bilhões, equivalentes a 88% do saldo devedor. Desse montante, R$ 20,8 bilhões estão vinculados a CRA e R$ 30,7 bilhões a debêntures.

A FS, produtora de etanol de milho e considerada como subsetor próprio no levantamento, apresenta R$ 5,1 bilhões em saldo devedor, correspondentes a 8,7% do total. Os fornecedores de cana concentram R$ 1,5 bilhão, ou 2,5%, enquanto a Copersucar, única empresa de trading incluída no levantamento, registra R$ 460 milhões, equivalentes a 0,8%. O prazo médio até o vencimento final, ponderado pelo saldo devedor, é de 5,1 anos. O cronograma de vencimentos apresenta concentração relevante entre 2029 e 2032, com maior volume em 2032, quando estão previstos R$ 12,96 bilhões em vencimentos. A estrutura indica que parte relevante das necessidades de refinanciamento do setor estará concentrada nos próximos seis anos, aumentando a importância das condições de mercado, da geração de caixa das empresas e da capacidade de rolagem das dívidas. O levantamento identifica 60 grupos econômicos devedores. Considerando a exposição consolidada na condição de devedor e fiador, a Raízen lidera o ranking, com R$ 13,51 bilhões, equivalentes a 23,1% do saldo devedor do setor.

Na sequência aparecem a FS, com R$ 6,12 bilhões; São Martinho, com R$ 5,81 bilhões; Cocal, com R$ 4,32 bilhões; e Açucareira Quatá, com R$ 3,09 bilhões. A exposição da Raízen inclui R$ 9,81 bilhões como devedora e R$ 3,7 bilhões como fiadora de debêntures da Raízen S.A., o que amplia sua participação na estrutura consolidada de crédito privado do segmento. A composição das captações mostra elevada concentração em títulos indexados à inflação. Os papéis IPCA+ representam 69,2% do saldo devedor, equivalentes a R$ 40,5 bilhões. Os títulos prefixados respondem por 12,8%, ou R$ 7,5 bilhões, enquanto os instrumentos indexados ao CDI acrescido de spread representam 11,0%, ou R$ 6,5 bilhões. Os títulos remunerados como percentual do CDI somam 7,0%, correspondentes a R$ 4,1 bilhões. A predominância de IPCA+ amplia a exposição financeira do setor à trajetória da inflação e das taxas reais de juros, embora também esteja associada ao financiamento de projetos de investimento e infraestrutura com prazos mais longos.

Quanto à destinação dos recursos, os projetos de investimento respondem por 51,8% do saldo devedor, ou R$ 30,3 bilhões, enquanto as usinas sucroalcooleiras concentram 43,6%, equivalentes a R$ 25,5 bilhões. A composição reforça a utilização do mercado de capitais como fonte de financiamento de expansão, modernização, infraestrutura e ativos produtivos da cadeia sucroenergética, além de complementar as alternativas tradicionais de crédito bancário e financiamento direcionado. No mercado secundário, 2026 registrou negociação em 122 operações e 162 instrumentos financeiros, de um universo de 259 IFs acompanhados pela Vitrify. Até 2 de outubro, o volume negociado alcançou R$ 21,1 bilhões, distribuído em 225.216 negócios, segundo dados da B3 compilados pela Vitrify. A movimentação evidencia a existência de liquidez relevante para os títulos emitidos pelo setor, embora a negociação esteja concentrada em parte dos instrumentos em circulação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.