ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

06/Oct/2026

Açúcar: preços em alta com as restrições na oferta

Em São Paulo, as chuvas continuaram atrasando a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul e, consequentemente, limitando a produção de açúcar. Com a oferta restrita, os preços do cristal seguem em alta no mercado spot, com avanço um pouco mais forte que o da semana anterior. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de SP) registra média de R$ 121,45 por saca de 50 Kg, alta de 0,74% nos últimos sete dias (R$ 120,55 por saca de 50 Kg). Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados no dia 1º de outubro, confirmam o forte impacto das chuvas.

Na primeira quinzena de setembro, o Centro-Sul produziu 2,12 milhões de toneladas de açúcar, queda de 41,6% frente ao mesmo período de 2025, e a moagem recuou 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas. Com isso, pela primeira vez nesta safra, a moagem acumulada ficou abaixo da do ciclo anterior (-1,5%), assim como a produção de açúcar, que somou 26,07 milhões de toneladas, 14,4% a menos que no mesmo período do ciclo anterior. O cenário não deve melhorar no curto prazo, tendo em vista que chuvas neste início de outubro podem voltar a paralisar a colheita.

A Datagro estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar devem ficar para a próxima safra, volume recorde, e que a moagem pode se estender até o fim de fevereiro ou início de março. Além disso, mesmo com o açúcar pagando mais que o etanol, a cana colhida com excesso de umidade rende menos açúcar e favorece a produção do biocombustível, o que tem levado as usinas a reduzir o mix açucareiro. Nesse quadro, a oferta de açúcar no mercado interno deve seguir restrita nas próximas semanas. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão em alta, refletindo o aumento das preocupações quanto à oferta mundial na temporada 2026/27.

O movimento de valorização ganhou intensidade nos últimos pregões, diante das perspectivas de menor disponibilidade do açúcar em importantes regiões produtoras. Além do Brasil, as perspectivas de menor produção na Índia e na Tailândia reforçam as preocupações quanto à oferta global. Na Índia, as condições climáticas desfavoráveis têm elevado as incertezas sobre o desempenho da próxima safra. O mesmo se aplica à Tailândia, onde as projeções também apontam para uma redução na produção de açúcar em 2026/27. Na União Europeia, a diminuição da área cultivada com beterraba sacarina, somada às adversidades climáticas registradas durante o desenvolvimento das lavouras, deve limitar a produção no próximo ciclo.

Esse conjunto de fatores intensificou a percepção de um balanço mundial de açúcar mais apertado ainda no ciclo 2026/27, ampliando a sustentação das cotações internacionais. A preocupação com a oferta também foi evidenciada pela FAO, cujo índice de preços do açúcar avançou 6,1% em setembro frente a agosto, atingindo o maior nível desde abril de 2025. O contrato Março/27 está cotado a 19,93 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 7,73% nos últimos sete dias (18,50 centavos de dólar por libra-peso). Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,32 por saca de 5 Kg, alta de 0,3% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 3,06 por saca de 1 Kg, elevação de 1,71% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.