06/Oct/2026
Os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta segunda-feira (05/10) em queda, pressionados por novas conversas entre Irã e Catar para buscar o encerramento da guerra no Oriente Médio e pela liberação planejada de estoques emergenciais de petróleo e diesel pelos países do G7. A perspectiva de aumento da oferta disponível no curto prazo contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o petróleo Brent para dezembro recuou 1,89%, ou US$ 1,93, para US$ 100,32 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para novembro caiu 1,84%, ou US$ 1,68, para US$ 89,43 por barril. O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, viajou para Doha para reuniões com autoridades do Catar. O Catar vem atuando como mediador nas negociações destinadas a encerrar o conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
O mercado de petróleo atravessa um período de menor reação às interrupções e aos riscos relacionados ao Estreito de Ormuz. Os fluxos pelo Estreito continuam em níveis considerados relevantes, enquanto as notícias sobre ataques de forças iranianas ou norte-americanas contra petroleiros passaram a produzir impacto menor sobre os contratos futuros em comparação com o observado anteriormente. Apesar do alívio de curto prazo, a recomposição dos estoques globais permanece como fator de risco para o mercado. A Saudi Aramco avalia que os estoques mundiais de petróleo foram drasticamente reduzidos durante o conflito e que a recomposição poderá levar até dois anos, mesmo após a normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz.
No âmbito da oferta, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) confirmou que manterá inalteradas as cotas de produção em novembro. A decisão reduz a possibilidade de aumento imediato da oferta por parte do grupo, mantendo a disponibilidade global condicionada à evolução dos fluxos de petróleo e à normalização da logística na região do Oriente Médio. Nos Estados Unidos, a alta dos preços da gasolina passou a ser associada pelo governo norte-americano também às restrições e problemas operacionais em refinarias dos Estados Unidos e da Rússia, além dos efeitos provocados pelas limitações no Estreito de Ormuz. O governo dos Estados Unidos também avalia medidas destinadas a reduzir os custos dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato, em um contexto de preocupação com a pressão sobre os preços domésticos.
A retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz tem sido um dos principais fatores de alívio para o mercado, mas a situação permanece sensível à evolução das negociações entre Irã, Catar e Estados Unidos. A combinação entre a liberação de estoques emergenciais do G7, manutenção das cotas da Opep+ e eventual normalização do trânsito pelo estreito tende a limitar a pressão imediata sobre as cotações, enquanto a necessidade de recomposição dos estoques globais mantém um componente de suporte para os preços no médio prazo. A Rússia mantém a perspectiva de retaliação contra a Ucrânia em resposta aos ataques contra refinarias de petróleo em território russo. A continuidade dessas ações adiciona outro vetor de risco à oferta de derivados e à infraestrutura de refino, em um mercado que já opera sob elevada sensibilidade a interrupções logísticas e geopolíticas.