05/Oct/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram a sessão de sexta-feira (02/10) em forte alta na Bolsa de Nova York, acelerando os ganhos registrados na sessão anterior e renovando os maiores níveis em um ano e meio. O vencimento março/27, referência atual e contrato mais líquido, avançou 99 pontos, equivalente a 5,23%, e fechou a 19,93 centavos de dólar por libra-peso. A confirmação oficial de uma forte quebra na fabricação de açúcar no Brasil, os estoques de passagem reduzidos na Índia, a previsão de novas chuvas sobre o Centro-Sul do Brasil e os sucessivos cortes nas estimativas para a safra europeia reforçaram as compras de fundos especulativos e sustentaram a valorização dos contratos. Dados oficiais do Ministério da Agricultura (Mapa) referentes à primeira quinzena de setembro confirmaram a deterioração das condições de produção no Centro-Sul. A fabricação de açúcar recuou 41,6%, para 2,117 milhões de toneladas, enquanto o processamento de cana-de-açúcar caiu 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas, em decorrência do excesso de chuvas.
A perda de qualidade da matéria-prima também pressionou o rendimento industrial. O teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) recuou 4,25%, para 149,59 kg por tonelada de cana-de-açúcar, levando as usinas a direcionarem parcela maior da matéria-prima para a produção de etanol. A consultoria McDougall projeta a produção acumulada do Centro-Sul em 36,02 milhões de toneladas, enquanto a Archer Consulting estima que o excesso de umidade poderá deixar até 50 milhões de toneladas de cana-de-açúcar bisada para o ciclo 2027/28. As condições climáticas continuam representando fator de risco para o andamento da safra. Boletins meteorológicos indicam a chegada de novos temporais sobre o cinturão canavieiro ao longo da próxima semana, com possibilidade de novas interrupções nas operações de colheita e moagem. No cenário internacional, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (Isma) informou que a Índia iniciou o ciclo 2026/27 com estoque de passagem de 3,8 milhões de toneladas, o menor nível em mais de uma década.
O quadro reforça a expectativa de manutenção das restrições às exportações indianas, após as chuvas irregulares durante a temporada de monções, cujo acumulado terminou 12,6% abaixo do normal. Na Europa, a unidade MARS, da Comissão Europeia, reduziu em 17% a estimativa de produtividade da beterraba açucareira. No mercado internacional, dados oficiais confirmaram a entrega física de 1,45 milhão de toneladas para a liquidação do contrato outubro na ICE, expirado na última quarta-feira. O volume ficou abaixo das estimativas iniciais de 1,80 milhão de toneladas, indicando maior firmeza da demanda física disponível. As projeções de déficit global também sustentam o cenário de oferta mais restrita. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) estima déficit mundial de 200 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics calcula déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit de 2,8 milhões de toneladas e o Rabobank estima déficit de 3,2 milhões de toneladas.
A valorização do dólar no mercado doméstico, a revisão para baixo do déficit global pela StoneX e a retração dos embarques brasileiros de açúcar em setembro limitaram uma alta ainda mais expressiva. O petróleo WTI subia 0,04%, para US$ 102,31 por barril. Entre os fundamentos globais, o mercado continua incorporando a revisão recente da StoneX, que reduziu a estimativa de déficit mundial de açúcar no ciclo 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. No comércio exterior brasileiro, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 9,3% na média diária dos embarques de açúcar acumulados em setembro. O relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostra que os fundos especulativos mantêm saldo comprado relevante nos contratos de açúcar negociados nos Estados Unidos, contribuindo para a sustentação do movimento de alta.