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05/Oct/2026

Combustíveis: menor espaço fiscal para subsídios

O espaço fiscal do governo para continuar subsidiando os preços dos combustíveis com receitas associadas ao petróleo tende a estar mais limitado, reduzindo a capacidade de amortecer um eventual novo choque de preços do diesel sem impacto adicional sobre as contas públicas. A combinação de preços internacionais mais elevados e menor margem orçamentária dificulta a adoção de novos mecanismos de compensação caso o custo do combustível volte a subir. A avaliação considera que o governo já utilizou parte relevante dos instrumentos disponíveis para conter os preços dos combustíveis e que, com a eventual redução da arrecadação adicional proporcionada pelo petróleo em relação aos picos recentes, uma nova rodada de subsídios poderá gerar custo fiscal. O cenário também envolve a possibilidade de os Estados Unidos adotarem restrições às exportações de diesel, diante dos preços elevados no mercado doméstico norte-americano.

Com o galão do diesel acima de US$ 6,50 e a gasolina acima de US$ 4,50, aumentou a pressão política nos Estados Unidos para adoção de medidas destinadas a reduzir os preços de energia, embora ainda exista incerteza sobre o formato que eventual intervenção poderá assumir. Uma restrição às exportações de diesel norte-americano teria potencial para elevar as cotações internacionais e ampliar a pressão sobre os custos no Brasil. O impacto para o mercado brasileiro tende a ser relevante porque uma parcela importante do diesel consumido internamente é atendida por importações, com participação crescente do produto norte-americano após a redução da oferta russa. Uma alta adicional do diesel teria efeitos principalmente sobre os fretes rodoviários e os preços de bens industriais, devido ao peso do combustível na estrutura de custos do transporte e da produção.

A adoção de uma nova rodada de subsídios exigiria, no atual contexto fiscal, a abertura de crédito extraordinário ou a realização de novos contingenciamentos. Sob as regras do arcabouço fiscal e com menor disponibilidade orçamentária, a ampliação ou extensão de mecanismos de compensação demandaria remanejamento de recursos de outras áreas ou aumento do déficit público. Um eventual embargo dos Estados Unidos às exportações de diesel também elevaria os preços internacionais do combustível, ampliando os riscos para a inflação brasileira. Além do diesel, a trajetória dos preços ao consumidor poderá ser influenciada nos próximos meses pelos efeitos climáticos associados ao El Niño e pela reversão de fatores temporários que contribuíram para aliviar a inflação durante o período intermediário do ano.

Caso o governo não consiga amortecer integralmente uma nova alta do diesel, parte do ajuste poderá ocorrer pela redução da demanda e da atividade no setor de transporte. O aumento expressivo do custo do combustível tende a reduzir a rentabilidade das operações de caminhões e pode levar transportadores a diminuir a utilização dos veículos ou interromper operações em rotas de menor retorno econômico. O cenário combina, portanto, menor espaço fiscal para subsidiar combustíveis, maior exposição do Brasil ao diesel importado e risco de elevação das cotações internacionais caso os Estados Unidos restrinjam as exportações. A intensidade do impacto sobre inflação, fretes e atividade econômica dependerá da magnitude e da duração de eventual alta do diesel, da capacidade de substituição do produto norte-americano por outros fornecedores e das medidas adotadas pelo governo brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.