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02/Oct/2026

Cana: chuvas atrasam moagem no Centro-Sul

Segundo o Bradesco, o excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil vem reduzindo o ritmo da safra de cana-de-açúcar 2026/27, em um cenário de oferta global mais restrita que dá suporte aos preços do açúcar. A moagem na principal região produtora do País alcançou 442,3 milhões de toneladas até a segunda quinzena de agosto, volume cerca de 2% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, em razão dos atrasos provocados pelas chuvas. As condições climáticas devem continuar determinando o ritmo das operações das usinas nos próximos meses, com possibilidade de precipitações acima da média também em outubro. O excesso de umidade pode reduzir o volume de cana processada e comprometer a qualidade da matéria-prima, com impacto sobre o teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). A redução da qualidade da cana amplia as incertezas sobre o mix de produção das usinas.

A valorização recente do açúcar aumenta o incentivo econômico para direcionar maior volume de matéria-prima à produção do adoçante em detrimento do etanol. Entretanto, uma eventual deterioração da qualidade da cana-de-açúcar pode limitar a capacidade das usinas de ampliar essa participação, reduzindo o potencial de resposta da oferta ao movimento de preços. No mercado internacional, as condições de oferta também sustentam as cotações. A Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar como medida para conter a inflação doméstica. A expectativa é de que o país deixe de atuar como exportador, diante de uma produção limitada pelas chuvas de monções, que ficaram 21,4% abaixo da normalidade. Na Tailândia, a produção também tende a recuar, em razão da redução de 10% da área plantada. A esse cenário se somam as quebras de produção na Europa e nos Estados Unidos, que devem elevar a necessidade de importações e aumentar a competição pela oferta disponível no mercado internacional.

A combinação de menor produção em importantes origens e maior demanda por importações reduz a disponibilidade global e oferece suporte aos preços do açúcar. No mercado de etanol, a expectativa é de manutenção de uma oferta elevada, em parte porque a menor qualidade da cana pode limitar a capacidade das usinas de maximizar a produção de açúcar. Os estoques de etanol hidratado permanecem elevados, enquanto a demanda segue abaixo do esperado. Os estoques de etanol anidro, por outro lado, estão 16,8% abaixo da média histórica, refletindo o aumento da mistura do biocombustível na gasolina. A formação de preços do etanol permanece incerta, condicionada por um cenário de subsídios e alterações tributárias. Nesse contexto, o comportamento do clima, a qualidade da cana e a relação entre as margens de açúcar e etanol continuarão determinando o direcionamento do mix de produção das usinas ao longo da safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.