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02/Oct/2026

Açúcar: futuros sobem com sinais de demanda firme

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta quinta-feira (1º/10) na Bolsa de Nova York, retomando o movimento de valorização após as perdas registradas na sessão anterior. O vencimento março/27, referência atual e contrato mais líquido do mercado, subiu 33 pontos, ou 1,77%, e fechou a 18,94 centavos de dólar por libra-peso. A alta foi sustentada por sinais de demanda física mais aquecida que o previsto na liquidação do contrato de outubro, pela valorização do petróleo no mercado internacional, por paralisações operacionais na colheita do Centro-Sul do Brasil e por sucessivas revisões de queda nas estimativas de produção de açúcar na Ásia e na Europa. No consumo global, a Covrig Analytics estimou que a entrega física para a liquidação do contrato de outubro, encerrado na véspera, somou 1,45 milhão de toneladas. O volume ficou abaixo da projeção inicial de 1,80 milhão de toneladas, sinalizando demanda física mais firme que a esperada e reduzindo as preocupações do mercado em relação ao consumo.

No mercado de energia, o petróleo WTI avançou 2,01%, ou US$ 1,82, para US$ 92,24 por barril. A valorização elevou a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e aumentou o incentivo para que as usinas direcionem maior volume de matéria-prima à produção de etanol. No Brasil, o excesso de chuvas em setembro provocou atrasos relevantes nas operações de campo. Análises da ED&F Man e da Archer Consulting indicam que as dificuldades operacionais podem prolongar os trabalhos e resultar em volume entre 35 milhões e 50 milhões de toneladas de cana bisada para o ciclo 2027/28. No cenário internacional, a seca associada ao fenômeno El Niño reduz o potencial produtivo da Tailândia e da Índia. No estado indiano de Maharashtra, a produção pode recuar 20%, para 8 milhões de toneladas, levando a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (Isma) a projetar espaço limitado para exportações.

Na Europa, o serviço MARS, da Comissão Europeia, reduziu em 17% a estimativa de produtividade da beterraba açucareira. As perspectivas de menor oferta são reforçadas por diferentes estimativas de déficit global. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics estima 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow calcula déficit de 2,8 milhões de toneladas e o Rabobank projeta 3,2 milhões de toneladas. Os ganhos foram limitados pela valorização do dólar e pela recente revisão da estimativa de déficit mundial da StoneX. Pelo lado dos fundamentos, o mercado continua assimilando a revisão da StoneX, que reduziu a estimativa de déficit mundial de açúcar no ciclo 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. No mercado financeiro, dados da CFTC mostram que os fundos especulativos mantêm saldo comprado relevante nos contratos de açúcar nos Estados Unidos. No comércio exterior brasileiro, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam retração de 9,3% na média diária dos embarques de açúcar acumulados em setembro.