02/Oct/2026
Segundo o Bradesco, as chuvas acima da média no Centro-Sul dificultam o avanço da moagem de cana-de-açúcar e limitam a ampliação da produção de açúcar, em um cenário de valorização das cotações do adoçante e demanda por etanol abaixo do esperado. O excesso de umidade pode comprometer a qualidade da matéria-prima e restringir a capacidade das usinas de direcionar maior volume de cana para a produção de açúcar, contribuindo para manter elevada a disponibilidade de etanol. A moagem no Centro-Sul somou 442,3 milhões de toneladas até a segunda quinzena de agosto, volume cerca de 2% inferior ao registrado em igual período da safra anterior.
Na primeira quinzena de setembro, as chuvas superaram 100 milímetros, com possibilidade de repetição desse padrão em outubro. A continuidade das precipitações deve influenciar o ritmo de moagem das usinas nos próximos meses. Além de reduzir o processamento, o excesso de água pode diminuir o ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), indicador da quantidade de açúcares disponíveis na matéria-prima. A mudança na relação de preços entre açúcar e etanol também alterou a atratividade da destinação da cana-de-açúcar. No início da safra, a maior rentabilidade do biocombustível levou as usinas a reduzir a parcela de matéria-prima destinada ao açúcar.
Em setembro, entretanto, o açúcar passou a apresentar vantagem de US$ 0,025 por libra-peso em relação ao etanol. A valorização do adoçante também acelerou a fixação de preços pelas usinas. No início de setembro, praticamente toda a produção de açúcar da safra 2026/27 já estava fixada, enquanto a comercialização antecipada da safra 2027/28 alcançava cerca de 35%. Para o açúcar, o Bradesco mantém perspectiva de valorização após uma alta superior a 20% desde o início de 2026. O Centro-Sul deve produzir cerca de 39 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 3,3%. No Norte e no Nordeste, a produção é estimada em 3,6 milhões de toneladas, avanço de 16%.
Nessas regiões, as chuvas registradas entre março e maio favoreceram os canaviais e compensaram parcialmente o déficit hídrico observado desde junho, embora a influência do El Niño mantenha os riscos climáticos. No mercado internacional, a autorização da Índia para importar 1 milhão de toneladas de açúcar até o fim de outubro, com o objetivo de conter a alta dos preços domésticos, reforça a percepção de menor disponibilidade no mercado global. A medida, combinada às preocupações climáticas nos principais países exportadores, acelerou a valorização dos contratos. As chuvas de monções na Índia ficaram 21,4% abaixo da normalidade entre junho e setembro.
Esse déficit, associado à redução da área cultivada e à menor aplicação de fertilizantes, deve limitar a produção indiana a cerca de 28,5 milhões de toneladas, volume que tende a retirar o país do mercado exportador. Na Tailândia, a área cultivada com cana-de-açúcar recuou 10%, e a produção deve ficar próxima de 10 milhões de toneladas. A previsão é de menor oferta na Europa e nos Estados Unidos em razão de clima seco e ondas de calor. A necessidade de importações nessas regiões deve ampliar a disputa pelo açúcar no primeiro trimestre de 2027, ao mesmo tempo em que as chuvas no Centro-Sul brasileiro restringem a disponibilidade de cana-de-açúcar para processamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.