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02/Oct/2026

“Canetas emagrecedoras”: estudo sobre retatrutida

A retatrutida, nova molécula da classe dos agonistas de GLP-1 em desenvolvimento para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, apresentou perda média de peso de 22,5 quilos, equivalente a 20,8%, entre os participantes do estudo clínico de fase 3 TRIUMPH-2. A pesquisa avaliou a eficácia e a segurança do medicamento em pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, e os resultados foram apresentados pela farmacêutica Lilly no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), realizado em Milão. A Lilly planeja submeter à Food and Drug Administration (FDA), agência dos Estados Unidos responsável pela regulação de medicamentos, um pedido de licenciamento biológico da retatrutida no primeiro trimestre de 2027. Caso a solicitação seja aprovada, os Estados Unidos serão o primeiro país a comercializar a molécula.

A principal diferença da retatrutida em relação a medicamentos que atuam sobre o sistema incretínico está no mecanismo de ação. A molécula ativa os receptores de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e glucagon, combinando a ação de três hormônios em uma única molécula e sendo classificada como um triagonista. A semaglutida ativa apenas o receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida atua sobre os receptores de GIP e GLP-1. GLP-1 e GIP atuam no pâncreas, estimulando a liberação de insulina e a promoção da saciedade. O glucagon, por sua vez, contribui para a manutenção de maior gasto energético durante a perda de peso, ajudando a reduzir a desaceleração do metabolismo e favorecendo a queima de gordura no fígado. O hormônio também contribui para evitar a esteatose hepática, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

No TRIUMPH-2, os participantes que receberam injeções semanais de retatrutida na dose de 12 mg apresentaram perda média de 20,8% do peso corporal. Entre as pessoas com índice de massa corporal (IMC) inicial de 35 Kg/m² ou superior, a perda média alcançou 23,4%. O estudo também identificou que aproximadamente 59,5% dos participantes tratados com a dose de 12 mg deixaram de preencher os critérios de IMC para obesidade ao final das 80 semanas de acompanhamento, período equivalente a cerca de um ano e oito meses. No estudo anterior, o TRIUMPH-1, realizado com pessoas com obesidade sem diabetes, a perda de peso foi maior. Os participantes tratados com 12 mg de retatrutida apresentaram redução média de 28,3% após 80 semanas, enquanto alguns pacientes alcançaram perda de até 30,3% durante um período de extensão de 104 semanas.

A resposta ao tratamento tende a ser menor entre pessoas com diabetes em comparação com indivíduos sem diabetes que utilizam a mesma molécula. A estimativa apresentada é de uma perda média de peso 30% menor nesse grupo. Nesse contexto, a redução superior a 20% observada no TRIUMPH-2 representa um resultado relevante para pacientes com diabetes tipo 2. Apesar dos resultados, ainda não há estudo clínico que compare diretamente a eficácia da retatrutida com a da tirzepatida e da semaglutida. Dessa forma, os resultados disponíveis não permitem estabelecer qual das três moléculas apresenta maior eficácia. Além da perda de peso, o TRIUMPH-2 identificou redução em múltiplos fatores associados ao risco cardiovascular entre os participantes tratados com a dose de 12 mg. Os triglicérides apresentaram redução média de 39,5%, o colesterol não HDL recuou 19,6% e a proteína C reativa de alta sensibilidade (hsCRP), marcador inflamatório, apresentou redução média de 58,3%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.