01/Oct/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em baixa na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (30/09), interrompendo os ganhos recentes em um movimento de realização de lucros no dia de vencimento do contrato outubro/26. O contrato março/27, atualmente o mais líquido e referência do mercado, recuou 23 pontos, ou 1,22%, encerrando a 18,61 centavos de dólar por libra-peso. A cautela dos agentes diante da expiração do contrato outubro/26, a expectativa de uma entrega física volumosa, indicando demanda imediata mais fraca no mercado disponível, a redução dos embarques brasileiros e as recentes revisões das estimativas de oferta global contribuíram para a pressão vendedora.
Análises da McDougall Global Views e da Barchart apontam que o interesse em aberto no vencimento outubro sinalizava entregas físicas de 1,8 milhão a 2 milhões de toneladas pela ICE, volume interpretado pelo mercado como indicativo de menor apetite do consumo no mercado disponível. No comércio exterior brasileiro, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações de açúcar totalizaram 2,40 milhões de toneladas entre 1º e 25 de setembro, com retração de 9,3% em relação à média diária registrada no mesmo período do ano anterior.
Nos fundamentos globais, o mercado continua absorvendo a revisão da StoneX, que reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas a estimativa de déficit mundial de açúcar no ciclo 2026/27. A redução da projeção de déficit limita a sustentação dos preços, embora outras estimativas ainda apontem para um cenário de oferta global mais apertado. A queda foi parcialmente limitada pelo recuo do dólar no Brasil, pela valorização do petróleo e por cortes relevantes nas estimativas de oferta internacional. No setor energético, o petróleo WTI avançava 1,11%, equivalente a US$ 1,14, para US$ 102,59 por barril, movimento que favorece a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e contribui para limitar a pressão negativa sobre o açúcar.
Pelo lado da produção internacional, o serviço de monitoramento agrícola MARS, ligado à Comissão Europeia, reduziu em 17% a projeção de produtividade da beterraba açucareira na União Europeia. Na Índia, a tentativa do governo do Estado de Maharashtra de antecipar o início da moagem para 15 de outubro enfrenta forte oposição dos produtores de cana-de-açúcar diante do risco de perda de rendimento das lavouras afetadas pela seca associada ao período de monções. O acumulado de chuvas na temporada terminou 12,6% abaixo do normal, no menor nível em 11 anos.
No Brasil, estimativas da Archer Consulting indicam que entre 35 milhões e 50 milhões de toneladas de cana-de-açúcar podem ser transferidas para a safra 2027/28 em razão do excesso de chuvas registrado em setembro no Centro-Sul. O cenário é acompanhado pela pesquisa da S&P Global, que aponta queda de 35,4% na moagem de cana-de-açúcar na primeira quinzena de setembro. Apesar da redução da estimativa de déficit da StoneX, o cenário estrutural de oferta global mais restrita permanece respaldado por diferentes projeções. O Rabobank estima déficit de 3,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, enquanto o Itaú BBA projeta 2,1 milhões de toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (OIA) calcula 200 mil toneladas. Para o ciclo 2027/28, a Czarnikow estima déficit de 2,8 milhões de toneladas.