01/Oct/2026
A safra de açúcar 2026/27 no Hemisfério Norte apresenta comprometimento devido à redução das chuvas em importantes regiões produtoras da França, Índia e Tailândia. Na região de Île-de-France, na França, o volume de precipitações está cerca de 44% abaixo do normal, afetando o desenvolvimento da beterraba. Na Índia Central, as chuvas de monção estão cerca de 30% abaixo da média, enquanto na Tailândia Central o déficit chega a aproximadamente 29%, em um momento em que a janela de desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar se aproxima do encerramento sem sinais de recuperação. O mercado internacional já incorporou parte desse cenário aos preços.
O contrato de açúcar bruto NY11 avançou de aproximadamente 15,00 centavos de dólar por libra-peso em agosto para cerca de 18,00 centavos de dólar por libra-peso atualmente, indicando que a percepção de menor oferta no Hemisfério Norte já está refletida nas cotações antes do início efetivo da moagem nas principais regiões afetadas. A sustentação de uma nova etapa de valorização dependerá, portanto, da confirmação de uma quebra de produção superior à atualmente precificada ou de uma redução adicional da oferta brasileira. A primeira possibilidade poderá ser confirmada quando o início da moagem de cana e beterraba nas regiões produtoras permitir a obtenção de dados efetivos de produtividade e rendimento no campo.
No Brasil, o principal fator de risco está relacionado às chuvas associadas ao fenômeno El Niño no Centro-Sul. Precipitações acima do normal podem prejudicar a moagem da safra 2026/27 em andamento e reduzir a oferta disponível no curto prazo. Ao mesmo tempo, essas mesmas condições climáticas tendem a favorecer a rebrota e o desenvolvimento vegetativo dos canaviais, com potencial de beneficiar a produtividade da safra 2027/28. Esse efeito cria uma diferença importante entre o impacto de curto e de médio prazo. Enquanto o excesso de chuvas pode representar um fator de pressão sobre a moagem e a oferta de açúcar da safra atual, a maior disponibilidade hídrica pode contribuir para a formação de uma safra 2027/28 mais robusta.
Dessa forma, o impacto climático sobre o Brasil dependerá da intensidade e da distribuição das precipitações ao longo dos ciclos agrícolas. O quadro atual indica que a deterioração da oferta no Hemisfério Norte já exerce influência relevante sobre as cotações internacionais. Para uma nova alta consistente do açúcar, será necessária a materialização de um fator adicional, como uma quebra de produtividade acima das expectativas na França, Índia ou Tailândia ou uma redução mais significativa da produção brasileira. Até o momento, os fatores já conhecidos pelo mercado parecem estar incorporados aos preços. Fonte: JornalCana. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.