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01/Oct/2026

Açúcar: subsídios e tarifas distorcem mercado global

A intervenção governamental no mercado global de açúcar permanece ampla, por meio de tarifas de importação, apoio direto a preços e incentivos à produção de etanol, contribuindo para distorções nas cotações internacionais da commodity. A avaliação consta de estudo do Centro Internacional para Competitividade Agrícola (Icac), da Universidade Texas Tech, que analisou as políticas agrícolas e comerciais de 29 países e blocos, incluindo a União Europeia. Esse conjunto representa 86,2% da produção mundial, 68,8% do consumo e 87% das exportações globais de açúcar na safra 2025/26. As tarifas aplicadas sob a cláusula de Nação Mais Favorecida (NMF) e as cotas de importação estão entre os principais instrumentos utilizados pelos países produtores para proteger seus mercados domésticos. A Turquia apresenta a maior tarifa média aplicada, de 99,5%, seguida por Índia, com 55,7%; Quênia, com 42,4%; Tailândia, com 41,0%; e República Dominicana, com 32,9%.

China e México apresentam tarifas médias de 28,7% e 28,1%, respectivamente. Na União Europeia, a alíquota média é de 18,1%, enquanto o Brasil mantém tarifa média de 14,8%. Além das barreiras na fronteira, a expansão dos mandatos obrigatórios de mistura de etanol à gasolina em diferentes países funciona como mecanismo de suporte indireto aos preços domésticos da cana-de-açúcar. A maior demanda por etanol absorve parcela relevante da matéria-prima que, em condições diferentes, poderia ser direcionada à produção de açúcar, reduzindo a disponibilidade de cana para a fabricação do açúcar. As transferências financeiras diretas aos produtores também representam um componente relevante da política de suporte ao setor. Segundo o indicador de apoio utilizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), China e Índia foram os países que concederam os maiores volumes de subsídios ao setor açucareiro na última década.

Em 2024, os aportes estatais da China ao setor alcançaram US$ 8,89 bilhões, enquanto o apoio concedido pela Índia somou US$ 3,61 bilhões. Esses mecanismos de suporte alteram as condições de competitividade entre produtores e influenciam a formação de preços nos mercados doméstico e internacional. No Brasil, maior exportador mundial de açúcar, o estudo destaca como fator de estímulo à cadeia a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 30%. A medida representa demanda adicional de aproximadamente 1,4 bilhão de litros de biocombustível no mercado interno durante a safra 2025/26. O levantamento também identifica como mecanismos de apoio no Brasil o acesso a linhas de crédito rural com juros equalizados e as subvenções destinadas à aquisição de insumos agrícolas. Esses instrumentos, combinados à política de mistura de etanol, afetam a alocação da cana entre açúcar e biocombustíveis e, consequentemente, a disponibilidade do produto para o mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.