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01/Oct/2026

Etanol poderá ter padrão de carbono aprovado pela IMO

A Organização Marítima Internacional (IMO) pode aprovar ainda em 2026 um padrão de intensidade de carbono para o etanol de cana-de-açúcar, permitindo que armadores contabilizem o uso do biocombustível em navios nos processos de descarbonização. O reconhecimento da intensidade de carbono é necessário para que a redução de emissões associada ao combustível seja considerada no cumprimento das metas estabelecidas pela organização. Navios que possuem estrutura compatível já podem utilizar combustíveis renováveis, mas a contabilização da redução de emissões depende do reconhecimento oficial, pela IMO, da intensidade de carbono média de cada rota de produção do biocombustível. Como o Brasil concentra parcela relevante da oferta mundial de etanol de cana-de-açúcar, o reconhecimento desse combustível pode avançar mais rapidamente do que o do biodiesel de soja, cuja produção está distribuída entre diferentes países.

Para reconhecer a intensidade de carbono de uma rota de produção, a IMO exige informações correspondentes a pelo menos 80% da oferta do biocombustível. Esse critério contribuiu para a aprovação mais rápida da intensidade de carbono do etanol de milho de segunda safra, cuja produção está concentrada principalmente no Brasil. Em maio, a IMO reconheceu a intensidade de carbono do etanol de milho de segunda safra em 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule (MJ) de energia gerada. O reconhecimento abriu caminho para a contabilização do combustível em estratégias de redução de emissões no transporte marítimo. O biodiesel de soja também está em processo de reconhecimento. A IMO já aprovou os cálculos apresentados pelo Brasil sobre a pegada de carbono do produto nacional. Estados Unidos e Argentina estão apresentando seus respectivos dados, que ainda aguardam avaliação do órgão.

Após a análise das informações, a IMO deverá estabelecer uma intensidade de carbono média global para o biodiesel de soja. A atuação brasileira na IMO também busca a criação de uma certificação própria que considere diferentes rotas de produção de biocombustíveis, sem privilegiar uma matéria-prima específica. A estratégia procura ampliar o reconhecimento internacional de diferentes alternativas de combustíveis renováveis utilizadas na descarbonização do transporte marítimo. A discussão também envolve divergências regulatórias com a União Europeia, cujas políticas próprias de descarbonização desconsideram biocombustíveis de primeira geração em determinadas situações, sob o argumento de que essas matérias-primas podem competir com a produção de alimentos. O reconhecimento de diferentes rotas pela IMO pode ampliar as alternativas consideradas para a redução das emissões do transporte marítimo. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.