01/Oct/2026
Armadores já encomendaram 336 navios que poderão operar com metanol ou etanol, com potencial de gerar demanda de 15 bilhões a 20 bilhões de litros do biocombustível até 2030, quando as embarcações deverão estar prontas. O dado foi apresentado durante evento do site NovaCana por Flavio Mathuyi, coordenador de Temas Ambientais da Comissão Coordenadora para os Assuntos da Organização Marítima Internacional (CCA-IMO). As 336 embarcações foram projetadas para operar com metanol, mas também poderão utilizar etanol. A conversão entre os combustíveis depende de alterações em bicos injetores e no software de controle dos navios, permitindo maior flexibilidade no abastecimento.
O movimento está relacionado ao processo de transição energética do transporte marítimo e às medidas regulatórias que deverão ser avaliadas pela IMO. O etanol apresenta vantagens em relação ao metanol em aspectos como menor custo de aquisição, maior disponibilidade e atendimento a requisitos de segurança. No Brasil, os portos já contam com infraestrutura de tancagem considerada suficiente para viabilizar o abastecimento de etanol de embarcações interessadas em utilizar o combustível ao longo da costa. A utilização de etanol em navios já avançou para testes e operações comerciais. A Maersk realizou testes com etanol puro em um navio bicombustível no Porto de Roterdã.
A CMA CGM também realizou abastecimento de uma embarcação com etanol no Porto de Santos, enquanto a Vale iniciou encomendas de navios projetados para operar exclusivamente com etanol. A possível adoção do etanol pelo transporte marítimo representa uma nova frente de demanda para o biocombustível brasileiro. A concretização desse mercado dependerá da evolução das regras internacionais para descarbonização do transporte marítimo, da disponibilidade e competitividade do etanol e da adaptação da infraestrutura portuária e das embarcações. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.