30/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta terça-feira (29/09) na Bolsa de Nova York, dando continuidade aos ganhos da sessão anterior. O movimento foi sustentado por novas revisões baixistas para a safra europeia, entraves no início da moagem na Índia e atrasos expressivos nas operações do Centro-Sul brasileiro. O vencimento março/27, referência atual e contrato mais líquido, avançou 28 pontos, ou 1,51%, e fechou a 18,84 centavos de dólar por libra-peso. Na Europa, o serviço de monitoramento agrícola MARS, ligado à Comissão Europeia, reduziu a estimativa de produtividade da beterraba açucareira no bloco para 67,4 toneladas por hectare. O volume representa queda de 17% ante o ciclo anterior e está 11% abaixo da média dos últimos cinco anos, reforçando as preocupações com a disponibilidade de matéria-prima para a produção de açúcar na região.
Na Índia, a decisão do governo do Estado de Maharashtra de antecipar o início da moagem para 15 de outubro enfrenta resistência de associações de produtores de cana-de-açúcar. A preocupação está relacionada à possibilidade de colheita de plantas sem maturação adequada em áreas afetadas pela irregularidade das chuvas de monção. O acumulado pluviométrico ficou 12% abaixo da média, aumentando os riscos para a produtividade e para a qualidade da matéria-prima. No Brasil, as precipitações frequentes ao longo de setembro provocaram paralisações nas atividades de campo no Centro-Sul. Pesquisa da S&P Global projeta queda de 35,4% na moagem da primeira quinzena de setembro, para 29,79 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, enquanto a fabricação de açúcar deve recuar 42,5%, para 2,087 milhões de toneladas.
A Archer Consulting avalia que o excesso de umidade pode deixar entre 35 milhões e 50 milhões de toneladas de cana-de-açúcar bisada para a safra 2027/28. O volume potencialmente transferido para o próximo ciclo amplia as preocupações com o equilíbrio entre oferta e demanda global. As estimativas de déficit também apontam para um mercado mais ajustado, com o Rabobank projetando déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, o Itaú BBA calculando 2,1 milhões de toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) estimando 200 mil toneladas e a Czarnikow prevendo déficit de 2,8 milhões de toneladas em 2027/28. A valorização do dólar, a queda do petróleo e as preocupações com a demanda no mercado físico limitaram uma alta mais expressiva dos contratos em Nova York. No mercado de energia, o petróleo WTI recuava 1,27%, equivalente a US$ 1,34, para US$ 105,28 por barril. A queda reduz parcialmente a atratividade da paridade teórica do biocombustível e limita o suporte adicional aos preços do açúcar por essa variável.
No consumo e nos fluxos globais, relatórios da McDougall Global Views e da Barchart apontam preocupações com a demanda física às vésperas do vencimento do contrato outubro na ICE, nesta quarta-feira. O interesse em aberto indica possibilidade de entregas entre 1,8 milhão e 2 milhões de toneladas, colocando o comportamento do mercado físico no centro das atenções no curto prazo. Apesar dos fatores altistas associados à produção, o balanço global apresenta estimativas divergentes. A StoneX revisou recentemente sua projeção de déficit mundial para o ciclo 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. No mercado financeiro, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou redução de 9% na posição líquida comprada dos fundos especulativos, para 146.790 contratos, indicando menor exposição comprada dos investidores diante das incertezas sobre demanda, oferta e equilíbrio global.