30/Sep/2026
A BYD depende de uma mudança na regra sobre conteúdo local de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para definir investimentos de R$ 500 milhões no País. O vice-presidente sênior da empresa no Brasil, Alexandre Baldy, disse que a companhia tem conversado com o governo para aumentar o percentual de localização dos equipamentos. Pelas regras atuais, é considerada nacional uma bateria que tenha até 15% de componentes produzidos no mercado brasileiro. Segundo Baldy, na estrutura de uma bateria para armazenamento de energia elétrica, os packs contêm entre 80% e 83% dos componentes. Já os inversores, onde se concentram os transformadores, respondem por 15% a 17% das peças. "Do jeito como está, isso não estimula a fabricação de BESS, porque posso trazer da China, onde é mais competitivo", disse o executivo.
"Queremos fazer aqui no Brasil os packs de bateria não somente os inversores. O plano é importar a célula da bateria, porque isso envolve transferência de tecnologia e é uma decisão de governos, não de uma empresa." Baldy ressaltou ainda que, caso a regra seja mudada, a BYD vai instalar a fábrica de BESS na Zona Franca de Manaus (ZFM) e poderá gerar entre 400 e 500 empregos. A unidade, de acordo com ele, teria capacidade para produzir até 10 gigawatts (GW). "Não posso passar o que passei com a fábrica de painel solar em Campinas (SP), que hoje trabalha com 82% de ociosidade. Lá já tivemos 700 funcionários, hoje, trabalhamos com 300 empregados em um turno de produção e mais de 50% de capacidade ociosa", disse Baldy. Isso aconteceu, segundo ele, porque o governo anterior zerou as tarifas de importação de painel solar e a medida, completa Baldy, prejudicou os investimentos realizados pela companhia. "Quando se mudou a regra do jogo, quebrou o nosso planejamento. Por isso, vamos aguardar um retorno do governo para decidirmos se vamos ou não investir em uma fábrica de BESS no Brasil."
O executivo ressaltou que os recursos, de R$ 500 milhões, são próprios e garantidos pela matriz, mas disse que a China só vai liberar o investimento após essa definição e com todos os documentos assinados para a instalação da unidade. "Nós precisamos que o BNDES financie os nossos clientes, aqueles que devem participar do leilão (armazenamento de capacidade de potência) de dezembro. Dinheiro nós temos." Quanto ao pedido de aumento de carga na fábrica de Camaçari, na Bahia, Baldy disse que a companhia teve de pedir à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um reforço para sustentar os investimentos de expansão da unidade. Segundo ele, a empresa havia pedido uma elevação de fornecimento somente para a distribuidora local, a Coelba, mas teria de fazer o pedido também à Aneel por comprar energia no Mercado Livre. "Hoje, a fábrica usa 1,5 megawatts (MW) e precisamos de 13 MW com a estimativa de chegarmos a 22 MW", disse Baldy. "Sem energia não tem indústria." Fonte: Broadcast Agro.