29/Sep/2026
As recentes chuvas continuam atrasando a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul, reduzindo a produção de açúcar. Assim, com a oferta restrita, as cotações seguem em elevação. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de São Paulo) registra média de R$ 120,55 por saca de 50 Kg, alta de 0,47% nos últimos sete dias (R$ 119,29 por saca de 50 Kg). Pesquisa da Platts (S&P Global) estima que o Centro-Sul brasileiro produziu 2,09 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de setembro, forte queda de 42,5% frente ao mesmo período de 2025. A moagem recuou 35,4% no mesmo comparativo, para 29,8 milhões de toneladas, e o teor de ATR caiu para 147,53 Kg por tonelada, ante 154,59 Kg por tonelada um ano antes. Com isso, consultorias reduziram suas projeções para a safra 2026/27 no Centro-Sul. A Hedgepoint cortou em 1,4 milhão de toneladas a estimativa de produção de açúcar, para 38,5 milhões de toneladas, por causa do mix menos açucareiro e do menor teor de açúcar na cana-de-açúcar.
A StoneX passou a projetar 38 milhões de toneladas de açúcar e projeta que cerca de 22 milhões de toneladas de cana-de-açúcar devem ser moídas apenas em 2027/28. Com menos açúcar sendo produzido nos próximos meses, a oferta no mercado interno deve continuar restrita, mantendo a sustentação dos preços. No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão pressionados. O contrato Outubro/26 tem média de 17,58 centavos de dólar por libra-peso, retração de 1,07% nos últimos sete dias. Segundo levantamento divulgado pela Safras & Mercado, havia 2,411 milhões de toneladas de açúcar programadas para embarque nos portos brasileiros na semana encerrada em 23 de setembro, das quais cerca de 2,13 milhões de toneladas correspondiam ao VHP. O expressivo volume programado reforça a importância da oferta brasileira no abastecimento do mercado internacional de açúcar bruto e contribui para manter a disponibilidade do produto relativamente confortável no curto prazo.
Por outro lado, as perspectivas para a oferta mundial na temporada 2026/27 indicam menor disponibilidade em importantes regiões produtoras. Na União Europeia, a diminuição da área cultivada com beterraba sacarina, somada aos impactos do calor e do déficit hídrico sobre as lavouras, deve resultar em menor produção de açúcar. Na Índia, a forte baixa da produção na temporada anterior e a consequente diminuição dos estoques domésticos preocupam agentes quanto à disponibilidade do adoçante. Na Tailândia, as expectativas apontam novo recuo na produção, diante das condições climáticas desfavoráveis e da menor atratividade da cana-de-açúcar frente a culturas concorrentes. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,28 por saca de 5 Kg, aumento de 0,93% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 3,01 por saca de 1 Kg, alta de 1,53% no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.