29/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta segunda-feira (28/09) na Bolsa de Nova York, sustentados pelo avanço do petróleo e pelas estimativas de forte queda na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. O contrato março/2027, referência atual e o de maior liquidez, subiu 6 pontos, ou 0,32%, e fechou a 18,56 centavos de dólar por libra-peso. O petróleo WTI avançou 1,01%, equivalente a US$ 1,05, para US$ 104,32 por barril. A valorização elevou a paridade teórica do etanol no mercado interno e aumentou o incentivo econômico para que as usinas direcionem maior volume de matéria-prima à produção do biocombustível, reduzindo a disponibilidade potencial de cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar. No Brasil, o excesso de chuvas registrado na primeira quinzena de setembro provocou paralisações nos trabalhos de moagem das usinas. Pesquisa da S&P Global com analistas aponta que o processamento de cana no Centro-Sul no período deve totalizar 29,8 milhões de toneladas, queda de 35,4% ante igual intervalo do ciclo anterior. A produção de açúcar é estimada em 2,09 milhões de toneladas, recuo de 46% na mesma comparação.
As condições de umidade elevada também podem prolongar o período de moagem e aumentar o volume de cana-de-açúcar bisada para a safra 2027/28. Análises do Cepea e da Pecege Consultoria indicam possibilidade de até 14 milhões de toneladas de cana permanecerem no campo para processamento posterior. O cenário está alinhado aos dados do Ministério da Agricultura (Mapa), que apontam retração de 10,7% na produção acumulada de açúcar até agosto, para 23,95 milhões de toneladas. Na Índia, autoridades do estado de Maharashtra anteciparam para 15 de outubro o início da moagem, em uma tentativa de garantir o abastecimento de açúcar antes do festival Diwali. A decisão enfrenta oposição de associações de produtores de cana-de-açúcar devido à falta de maturação adequada dos canaviais afetados pela seca associada ao período de monções. As perspectivas de menor disponibilidade também aparecem nas estimativas de déficit global. O Rabobank projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto o Itaú BBA estima saldo negativo de 2,1 milhões de toneladas.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula déficit de 200 mil toneladas, e a Czarnikow prevê déficit de 2,8 milhões de toneladas para 2027/28. Os ganhos, contudo, foram limitados pelo fortalecimento do dólar, pelas preocupações com a demanda física e pela redução da posição comprada dos fundos. No Brasil, a alta do dólar favorece fixações de vendas e embarques por parte das usinas. No consumo e nos fluxos globais, relatórios da Covrig Analytics e da McDougall Global Views apontam que o interesse em aberto no contrato outubro na Bolsa de Nova York, com vencimento nesta quarta-feira (30/09), sinaliza possibilidade de entregas físicas entre 1,8 milhão e 2 milhões de toneladas. Para agentes do mercado, o volume potencial de entregas é um indicativo de demanda imediata mais fraca no mercado disponível. A StoneX revisou recentemente sua projeção de déficit mundial de açúcar em 2026/27, de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. No mercado financeiro, o relatório semanal da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou redução de 9% na posição líquida comprada dos fundos especulativos na ICE na semana encerrada em 22 de setembro, para 146.790 contratos, sinalizando menor exposição comprada dos investidores financeiros ao açúcar.