28/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda na sexta-feira (25/09) na Bolsa de Nova York, acumulando perdas na semana passada diante de sinais de demanda física mais fraca no curto prazo e do recuo do petróleo. O vencimento março/27, referência atual e contrato mais líquido, caiu 11 pontos, ou 0,59%, e fechou a 18,50 centavos de dólar por libra-peso. A pressão vendedora foi liderada pelas preocupações com o consumo no mercado físico disponível, pela queda do petróleo no exterior, pela revisão para baixo da estimativa de déficit global da StoneX e pelo fortalecimento do dólar no Brasil. O câmbio mais favorável à origem brasileira aumenta a atratividade da fixação de vendas em moeda local e amplia a oferta potencial nos mercados internacionais. No lado da demanda, análises da McDougall Global Views indicam que o interesse em aberto no vencimento outubro em Nova York, que expira na próxima semana, sinaliza entregas físicas de até 1,8 milhão a 1,9 milhão de toneladas.
O volume é significativamente superior à média dos últimos seis anos e tem sido interpretado pelo mercado como um indicativo de menor intensidade das compras imediatas. O cenário é reforçado pelo efeito residual da entrega atípica de 499,35 mil toneladas na liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres na semana passada. No mercado de energia, o petróleo WTI recuou 2,46%, ou US$ 2,62, para US$ 106,60 por barril, reduzindo a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e limitando o suporte aos preços do açúcar. No balanço dos fundamentos globais, a StoneX reduziu a estimativa de déficit mundial no ciclo 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. No mercado cambial doméstico, o dólar comercial subiu, favorecendo a fixação de vendas pelo setor produtor em moeda local. Ao mesmo tempo, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou que os fundos especulativos mantêm saldo líquido comprado elevado de 161.342 contratos na ICE, deixando as cotações mais expostas a movimentos de liquidação de posições.
A queda dos contratos foi parcialmente limitada, contudo, pelas perspectivas de forte redução no processamento de cana-de-açúcar no Brasil e pelo enfraquecimento do dólar no exterior. Pesquisa da S&P Global com analistas indica que as chuvas intensas na primeira quinzena de setembro provocaram perda de seis dias de moagem no Centro-Sul. Para o período, a projeção é de redução de 42,5% na fabricação de açúcar, para 2,087 milhões de toneladas, e de 35,4% no processamento de cana-de-açúcar, para 29,79 milhões de toneladas. A McDougall estima que a menor moagem pode reduzir a produção acumulada do Centro-Sul no ciclo 2026/27 para 35,98 milhões de toneladas. A projeção se aproxima da estimativa de 38,5 milhões de toneladas da Hedgepoint e ocorre em um ambiente em que análises do Cepea e da Pecege Consultoria apontam possibilidade de até 14 milhões de toneladas de cana bisada para a safra 2027/28. Os dados oficiais também indicam menor produção. O Ministério da Agricultura (Mapa) registra queda de 10,7% na fabricação acumulada de açúcar até agosto, para 23,95 milhões de toneladas.
No mercado internacional, a West India Sugar Mills Association (WISMA) projeta redução de 20% na produção do Estado de Maharashtra, na Índia, para 8 milhões de toneladas, em consequência da seca associada à monção. Na União Europeia, a Comissão Europeia estima produção de 14,1 milhões de toneladas, queda de 2,5 milhões de toneladas. Apesar da revisão para baixo da StoneX, o quadro estrutural ainda é de oferta global apertada segundo diferentes estimativas. O Rabobank projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, o Itaú BBA estima 2,1 milhões de toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) aponta déficit de 200 mil toneladas e a Czarnikow prevê déficit de 2,8 milhões de toneladas para 2027/28. O mercado, portanto, combina sinais de demanda física menos aquecida e maior pressão de curto prazo sobre as cotações com fundamentos de oferta ainda restritos, principalmente diante das perdas de moagem no Brasil e das revisões negativas de produção em importantes regiões produtoras. Esse equilíbrio entre demanda imediata, posição especulativa e disponibilidade global tende a continuar determinando a direção dos contratos em Nova York.