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28/Sep/2026

Transportes: emissões de GEEs aumentam no Brasil

De acordo com dados do estudo do Centro Brasil no Clima (CBC), elaborado com base em informações de 2005 a 2024, as emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes aumentaram 56% entre 2005 e 2024, acima do crescimento de 48% do Produto Interno Bruto (PIB) no período, apesar da expansão do uso de biocombustíveis e da adoção ainda inicial de veículos elétricos. A avaliação do estudo é que políticas públicas implementadas nos últimos anos, incluindo programas de estímulo à produção de veículos mais eficientes e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, não foram suficientes para reverter a trajetória de alta das emissões. Com isso, o setor de transportes permanece em ritmo incompatível com as metas de neutralização de carbono estabelecidas no Acordo de Paris.

A análise utiliza dados do Observatório do Clima, do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas e do Primeiro Relatório Bienal de Transparência, documento de prestação de contas do Brasil às Nações Unidas sobre as ações climáticas do País. O Centro Brasil no Clima é uma organização dedicada à descarbonização da economia, à proteção da biodiversidade e à promoção da justiça climática. Segundo o estudo, a redução de 20% nas emissões líquidas do Brasil entre 2005 e 2022, reconhecida internacionalmente, ocorreu principalmente em função da diminuição do desmatamento. No setor de transportes, a expansão da frota de veículos elétricos ainda apresenta efeito incipiente na mitigação das emissões. No transporte de passageiros, o principal fator de contenção do crescimento das emissões foi a maior utilização de biocombustíveis, especialmente o etanol.

No transporte de cargas, a dependência do diesel permanece elevada. O segmento responde por 53,9% das emissões do setor e ainda dispõe de poucas alternativas em escala suficiente para substituir o combustível fóssil. Embora os caminhões representem apenas 3% da frota circulante, sua participação nas emissões é desproporcionalmente elevada. O quadro evidencia diferenças importantes entre os segmentos de transporte. Enquanto o aumento do uso de etanol contribuiu para limitar a expansão das emissões no transporte de passageiros, a matriz de cargas continua concentrada no diesel, mantendo elevada a contribuição do segmento para as emissões totais. A transição para uma matriz de menor intensidade de carbono depende, nesse contexto, da ampliação de alternativas tecnológicas e energéticas capazes de atender à escala do transporte rodoviário de cargas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.