25/Sep/2026
De acordo com a 1ª estimativa da StoneX para safra de cana-de-açúcar 2027/28, o Centro-Sul do Brasil deve processar recorde de 662,1 milhões de toneladas, alta de 4,2% ante a temporada atual, para o próximo ciclo. O avanço deve ser sustentado por condições climáticas favoráveis à produtividade e pelo elevado volume de cana que permanecerá no campo ao final da safra 2026/27. Com maior direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar, o mix açucareiro deve aumentar de 46,2% para 49,3%, elevando a produção para 42,4 milhões de toneladas, volume próximo ao recorde de 2023/24. A produtividade média está estimada em 81,5 toneladas por hectare em 2027/28, alta de 2,1% ante as 79,8 toneladas por hectare projetadas para a temporada atual. A área colhida também deve crescer 2,1%, para 8,13 milhões de hectares. As precipitações acumuladas entre abril e setembro somaram 398 milímetros nas regiões canavieiras, quase o dobro da média dos últimos 10 anos, e a expectativa é de chuvas acima da normalidade entre outubro e março.
O envelhecimento dos canaviais, entretanto, limita parte do ganho potencial de produtividade. A idade média dos canaviais deve avançar de 3,46 para 3,55 cortes, com impacto negativo estimado em 0,41 tonelada por hectare na produtividade. Em sentido contrário, a cana bisada, que deixa de ser colhida no ciclo originalmente previsto e permanece no campo, deve contribuir para elevar o rendimento médio. Em um ciclo normal, esse tipo de cana apresenta produtividade mais de 20% superior à média. A StoneX estima que 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar bisada sejam processadas ainda em março de 2027 e outras 22 milhões de toneladas ao longo do calendário da safra 2027/28. O volume é resultado dos atrasos registrados na temporada atual, marcada por interrupções da colheita provocadas pelas chuvas. A expectativa é de manutenção de um volume elevado de cana-de-açúcar bisada no início e ao longo do próximo ciclo. Para a safra 2026/27, a StoneX reduziu de 640,1 milhões para 635,3 milhões de toneladas a projeção de moagem, ainda 3,9% acima da temporada anterior.
A área colhida deve recuar 3,1%, para 7,96 milhões de hectares. Os atrasos na colheita foram observados principalmente em junho, na segunda metade de julho e na primeira quinzena de setembro. A produção de açúcar da safra atual foi revisada para 38 milhões de toneladas, com mix açucareiro estimado em 46,2%. O excesso de umidade dificulta o processo de cristalização nas usinas e limita a capacidade de ampliar a parcela da cana-de-açúcar destinada ao açúcar na reta final da temporada. Entre setembro e dezembro, o mix médio está previsto em 43%, com pouco espaço para níveis superiores a 50%. Para 2027/28, a relação de preços tende a favorecer novamente o açúcar. Desde julho, o produto apresenta vantagem econômica sobre o etanol no estado de São Paulo. O contrato de açúcar para julho de 2027 na Bolsa de Nova York saiu da faixa de 15,00 centavos de dólar por libra-peso no início de agosto para perto de 18,00 centavos de dólar por libra-peso nos últimos 10 dias do mês. As fixações para a próxima safra também avançaram, depois de iniciarem o ciclo em ritmo inferior ao observado em temporadas anteriores.
Com moagem maior, ATR praticamente estável e aumento do mix açucareiro, a produção é projetada em 42,4 milhões de toneladas de açúcar em 2027/28. As exportações do Centro-Sul podem atingir 33,8 milhões de toneladas no calendário abril-março, com aumento principalmente da oferta brasileira ao mercado internacional no segundo semestre de 2027. O maior direcionamento da cana-de-açúcar para açúcar não deve impedir o crescimento da produção total de etanol, sustentado pelo avanço do etanol de milho. A produção desse biocombustível deve crescer 29,7%, para 13,6 bilhões de litros, com oito novas unidades entrando em operação e outras cinco ampliando capacidade entre outubro de 2026 e março de 2028. A produção de etanol de cana-de-açúcar deve recuar 1,5%, para 26,9 bilhões de litros, em razão da menor parcela da matéria-prima destinada ao biocombustível. A participação do etanol hidratado no mix do Centro-Sul deve avançar 1,2%, para 31,4%, em 2027/28. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.