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25/Sep/2026

Açúcar: dólar e déficit global pressionam futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda na Bolsa de Nova York, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de valorização, em movimento de realização de lucros. O vencimento março/27, referência atual e mais líquido do mercado, recuou 19 pontos, ou 1,01%, e fechou a 18,61 centavos de dólar por libra-peso. A pressão vendedora foi determinada pelo fortalecimento do dólar no exterior e no Brasil, pela revisão para baixo da estimativa de déficit global de açúcar pela StoneX, pelo risco de liquidação de posições dos fundos especulativos e pelas preocupações com a demanda física. A StoneX reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas a projeção de déficit mundial de açúcar para o ciclo 2026/27. A revisão diminuiu a percepção de aperto no balanço global e contribuiu para a pressão sobre as cotações.

Do lado da demanda física, análises da McDougall Global Views indicam que o interesse em aberto no contrato outubro sinaliza entregas de até 1,8 milhão de toneladas na expiração, sugerindo menor apetite pelo produto disponível. Esse cenário se soma à entrega física considerada atípica de 499,35 mil toneladas registrada na Bolsa de Londres na semana anterior. No mercado financeiro, dados da CFTC mostram que os fundos especulativos mantêm posição líquida comprada de 161.342 contratos na ICE. A elevada exposição comprada deixa os preços mais suscetíveis a movimentos de realização de lucros e liquidação de posições, ampliando a pressão vendedora em sessões de deterioração dos fundamentos de curto prazo.

As perdas, contudo, foram limitadas pelo avanço dos preços do petróleo e pelas revisões negativas para as safras de açúcar no Brasil e no exterior. A Hedgepoint reduziu em 1,4 milhão de toneladas a estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro, para 38,5 milhões de toneladas, em razão do rendimento mais fraco de ATR e das paralisações da colheita provocadas pelas chuvas volumosas registradas em setembro em São Paulo. Nesse cenário, estimativas do Cepea e da Pecege Consultoria apontam que até 14 milhões de toneladas de cana podem permanecer como cana bisada para o ciclo 2027/28. Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também indicam redução da produção acumulada de açúcar no Brasil. Até agosto, a fabricação do adoçante recuou 10,7%, para 23,95 milhões de toneladas.

No mercado internacional, a West India Sugar Mills Association (WISMA) projeta queda de 20% na produção de açúcar de Maharashtra, na Índia, para 8 milhões de toneladas, em consequência da seca associada à monção. Na União Europeia, a Comissão Europeia estima produção de 14,1 milhões de toneladas, redução de 2,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2025/26. Apesar da revisão da StoneX, outras estimativas ainda apontam para um cenário de déficit global de açúcar. O Rabobank projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto o Itaú BBA estima déficit de 2,1 milhões de toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (OIA) calcula saldo negativo de 200 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit mundial de 2,8 milhões de toneladas, mantendo a perspectiva de balanço global mais apertado no médio prazo.