25/Sep/2026
Segundo nova estimativa da StoneX, o mercado mundial de açúcar deve registrar déficit de cerca de 900 mil toneladas na temporada 2026/27, de outubro a setembro. A projeção representa redução em relação ao déficit de 1,7 milhão de toneladas calculado em julho, principalmente diante da expectativa de forte aumento da oferta brasileira em 2027. Apesar da maior disponibilidade do Brasil, o balanço mundial deve permanecer negativo em função dos impactos do El Niño sobre importantes produtores, com potencial de redução de 6 milhões de toneladas na produção conjunta de Índia, Tailândia, União Europeia e Reino Unido. Para a temporada 2025/26, praticamente encerrada, foi revisado para baixo o superávit global esperado, de 2,9 milhões para 1,45 milhão de toneladas. A redução está associada principalmente aos atrasos na moagem do Centro-Sul do Brasil e ao teor de açúcar da cana abaixo do esperado. Na Índia, as monções acumulavam déficit de 15% em 2026, após agosto e setembro registrarem chuvas abaixo da normalidade.
Diante da deterioração das condições climáticas e da expectativa de redução da área de cana disponível, a StoneX reduziu de 30,4 milhões para 29 milhões de toneladas a estimativa de produção antes do desvio da matéria-prima para etanol. O governo indiano abriu uma cota de importação de 1 milhão de toneladas, das quais 800 mil toneladas haviam sido alocadas até meados de setembro. Há risco para safra indiana seguinte caso os efeitos do El Niño persistam no início de 2027. Em um cenário semelhante ao observado em ciclos anteriores afetados pelo fenômeno, a produção da Índia em 2027/28 poderia ficar entre 25,5 milhões e 26,5 milhões de toneladas. Por enquanto, a premissa é de que o país volte a importar açúcar no 2º semestre de 2027, inicialmente com cerca de 1 milhão de toneladas. Na Tailândia, as chuvas acumulavam déficit de 15% até 20 de setembro, com condições mais adversas nas regiões Norte e Central. A produção de açúcar foi estimada em 9,6 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto as exportações devem ficar em torno de 6,9 milhões de toneladas, abaixo das 8,2 milhões projetadas para a temporada anterior.
Na União Europeia e no Reino Unido, a seca prolongada e as ondas de calor já provocaram perdas de produtividade da beterraba. A StoneX reduziu para 14,2 milhões de toneladas a previsão de produção conjunta, queda anual de 20%. Com a menor oferta doméstica, a União Europeia deve voltar à condição de importadora líquida de açúcar, com déficit comercial estimado em 1,6 milhão de toneladas. Nos Estados Unidos, a necessidade de produto externo também deve aumentar. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a produção caminha para o menor nível em 7 anos, enquanto as importações devem crescer de 2,3 milhões para cerca de 3 milhões de toneladas em 2026/27. Na América Central, a consultoria reduziu a projeção de produção para 5,1 milhões de toneladas, queda anual de 5,9%, após um período de chuvas abaixo da média em países produtores relevantes. Em sentido contrário, a Rússia deve ampliar a produção em 500 mil toneladas, para 6,6 milhões de toneladas.
A oferta também deve crescer na África, onde os principais produtores aumentaram conjuntamente a produção em mais de 1 milhão de toneladas em 2025/26 e podem registrar novo avanço na temporada seguinte. A maior oferta brasileira é o principal fator de redução do déficit mundial projetado pela StoneX. O Centro-Sul deve ampliar a produção no calendário de outubro a setembro e, para a safra 2027/28, a consultoria prevê moagem recorde e aumento do mix açucareiro. Mesmo com esse crescimento, a oferta adicional brasileira não deve ser suficiente para levar o balanço mundial a uma situação de superávit em 2026/27. O consumo mundial foi estimado em 194,7 milhões de toneladas, alta de 0,6% ante 2025/26. Os estoques globais devem recuar 1,2%, para 74,3 milhões de toneladas, enquanto a relação entre estoques e consumo deve cair de 38,9% para 38,2%, indicando redução da disponibilidade relativa do produto. As cotações já incorporaram parte da perspectiva de menor oferta.
Desde o fim de julho, o açúcar passou da faixa de 15,00 centavos de dólar por libra-peso para mais de 17,00 centavos de dólar por libra-peso no contrato outubro de 2026 na Bolsa de Nova York. O vencimento março de 2027 superou 18,00 centavos de dólar por libra-peso e chegou a testar níveis próximos de 20,00 centavos de dólar por libra-peso em 10 de setembro. No mesmo período, os fundos passaram de uma posição líquida vendida de 91 mil contratos para uma posição líquida comprada superior a 160 mil contratos. A dinâmica de oferta, contudo, tende a variar ao longo da temporada. A disponibilidade de açúcar ainda deve ser relativamente confortável no 4º trimestre de 2026, sustentada pela oferta brasileira, antes de ocorrer maior aperto no início de 2027. O déficit esperado para 2027 tende a ficar concentrado no 1º semestre, refletindo principalmente os impactos climáticos sobre os grandes produtores do Hemisfério Norte e a transição entre os ciclos de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.