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25/Sep/2026

Petróleo: impacto indireto sobre inflação brasileira

Segundo avaliação do Banco Central, o impacto indireto da alta internacional dos preços do petróleo sobre a inflação brasileira pode ser tão relevante quanto o efeito direto sobre os combustíveis. Apesar da reversão parcial de alguns preços, permanecem riscos de repasse para a inflação no curto prazo. O estudo do Banco Central analisa os impactos primários do recente aumento das cotações internacionais do petróleo e de seus derivados, associado ao conflito no Oriente Médio. Além do efeito direto sobre os combustíveis consumidos pelas famílias, o choque elevou os custos de diversas cadeias produtivas, com impactos sobre derivados de petróleo, produtos químicos, produtos plásticos, fertilizantes e outros segmentos dependentes de insumos petroquímicos.

Desde o pico do choque, os preços da ureia, que haviam acumulado alta de 50% entre fevereiro e abril, retornaram a níveis próximos aos registrados antes do conflito. Entre junho e agosto, também houve alguma reversão nos preços de derivados de petróleo e de produtos pertencentes a cadeias mais dependentes de insumos petroquímicos. Esse movimento indica que o repasse do choque nos estágios iniciais das cadeias produtivas pode estar próximo de sua conclusão, embora ainda existam riscos relevantes de transmissão para a inflação no curto prazo. A retomada recente do conflito no Oriente Médio, entretanto, foi acompanhada por nova alta dos preços do petróleo, reintroduzindo pressão sobre os custos. Os cracks spreads da gasolina e do diesel permanecem elevados, enquanto os preços dos fertilizantes fosfatados continuam pressionados pela dependência do enxofre como insumo. As desonerações e subvenções aplicadas ao diesel e à gasolina também representam fonte de incerteza para a evolução dos preços ao consumidor desses combustíveis.

Alterações nesses mecanismos podem modificar a intensidade e a velocidade de transmissão das oscilações internacionais dos preços do petróleo para o mercado doméstico. Sondagens empresariais continuam apontando pressão de custos, enquanto as defasagens associadas à transmissão dos choques por cadeias produtivas mais longas indicam que parte dos efeitos primários ainda pode chegar aos preços ao consumidor. Dessa forma, mesmo com a reversão parcial observada em alguns insumos desde o pico do choque, o ambiente permanece sujeito a pressões inflacionárias derivadas tanto dos efeitos diretos sobre combustíveis quanto dos efeitos indiretos sobre os custos de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.